As retiradas de dois candidatos reorganizam o tabuleiro eleitoral paulista. Campos de Tarcísio e Haddad já calculam para onde migram os votos e como isso impacta as pesquisas.
As pré-campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) ao Palácio dos Bandeirantes já começaram a revisar cenários depois que Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB) deixaram a corrida. Segundo cálculos internos, os dois grupos avaliam quantos votos de cada ex-pretendente podem migrar e qual o impacto imediato nas próximas pesquisas.
Para o entorno de Tarcísio, a conta mais otimista parte da previsão de que o apoio antes dedicado a Kim Kataguiri tenderá a ser absorvido quase por completo. Kataguiri aparecia com cerca de 5% das intenções de voto nas sondagens da Quaest e do Datafolha. Já no caso de Paulo Serra, que registrava percentual parecido, a divisão deve ser mais equilibrada: metade desse eleitorado caminharia para o atual governador, e a outra metade se dirigiria ao petista.
O diagnóstico se baseia também em levantamentos encomendados pelo próprio comando de campanha de Tarcísio. Nesses trackings, Kataguiri e Serra marcavam percentuais menores, próximos de 3% cada. A partir desse universo, aliados de Tarcísio calculam que ele possa engordar o capital eleitoral em cerca de 4,5 pontos percentuais. A projeção considera a adesão total dos 3% atribuídos a Kataguiri e, pelo menos, 1,5 ponto oriundo dos votos de Serra.
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A última pesquisa divulgada pela Quaest colocou Tarcísio com 38% das intenções de voto. Se a matemática interna se confirmar, ele pode ultrapassar a barreira dos 40% nos próximos levantamentos, alimentando a possibilidade de definir a disputa ainda no primeiro turno. Embora o cenário continue indefinido, o resultado inicial animou o núcleo de campanha, que passou a monitorar diariamente a performance nas diferentes regiões do Estado.
No quartel-general de Haddad, o recuo de Paulo Serra também é considerado relevante. Com a perspectiva de herdar até metade da fatia tucana, o ex-ministro da Fazenda busca consolidar a posição entre eleitores que se identificam com o centro-esquerda, evitando que eventuais indecisos migrem para o atual governador. A estratégia inclui reforço de agendas no interior e em segmentos do eleitorado feminino, onde as pesquisas apontam maior margem para crescimento.
Pelos números analisados até agora, Kim Kataguiri e Paulo Serra somavam aproximadamente 10% dos votos válidos. A redistribuição desse montante tende a clarear o quadro de forças nas próximas semanas e pode redefinir tanto a busca pela liderança folgada quanto a luta pela vaga no segundo turno. Até lá, as equipes de Tarcísio e Haddad seguem testando discursos e calibrando eventos públicos a fim de converter, da maneira mais eficiente possível, o apoio dos órfãos das candidaturas que ficaram pelo caminho.
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