O mais recente balanço oficial sobre os terremotos que atingiram a Venezuela há duas semanas confirma a gravidade do desastre natural. De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, o total de mortes subiu para 3.811. O anúncio, feito nesta quinta-feira (09/07), reforça a dimensão da tragédia que abalou principalmente a cidade portuária de La Guaira e diversas localidades vizinhas.
Além das vítimas fatais, o levantamento aponta 16.740 pessoas feridas, muitas delas ainda internadas em unidades de saúde sobrecarregadas. A tragédia também deixou 17.907 cidadãos sem teto, que agora dependem de abrigos provisórios montados em ginásios, escolas e espaços comunitários. Equipes médicas relatam que a maioria dos feridos apresenta fraturas, contusões graves e traumas psicológicos causados pelo colapso de edifícios residenciais e comerciais.
Os tremores ocorreram às 18h37 do dia 24 de junho, em um intervalo de menos de um minuto, com magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter. Sismólogos locais explicam que a energia liberada foi suficiente para comprometer estruturas que já apresentavam desgaste. Em seguida, registraram-se 20 réplicas, algumas perceptíveis a olho nu, o que dificultou os trabalhos de resgate nas primeiras horas.
As equipes de busca passaram a vasculhar pilhas de concreto e aço imediatamente após o abalo. O caso que mais chamou atenção foi o resgate, oito dias depois, de um homem encontrado com vida nos escombros de um prédio de seis andares no bairro El Atlántico. Segundo os socorristas, esse episódio alimentou a esperança de localizar outros sobreviventes mesmo após o prazo considerado crítico.
A Agência da ONU para Refugiados (Acnur) lançou um apelo emergencial de US$ 14,85 milhões para financiar abrigos, água potável, kits de higiene e apoio psicossocial às famílias desalojadas. Entre as prioridades estão a construção de latrinas temporárias e a distribuição de colchões, sobretudo em comunidades rurais que ficaram isoladas por deslizamentos de terra.
Países como Estados Unidos, China, Brasil, México e Reino Unido enviaram bombeiros especializados, cães farejadores, tendas hospitalares, remédios e alimentos não perecíveis. A chegada desses suprimentos aliviou a pressão sobre os estoques nacionais de medicamentos, especialmente analgésicos e antibióticos, cuja procura disparou nas primeiras 48 horas.
Rodríguez destacou que o governo continua mobilizando recursos militares e civis para acelerar a remoção de escombros e restabelecer serviços essenciais. Técnicos de energia trabalham em turnos para religar subestações danificadas, enquanto engenheiros civis avaliam a estabilidade de pontes e viadutos.
Com o aumento do número de mortos e a identificação constante de corpos, autoridades locais reforçam o apelo para que familiares procurem postos de informação e levem documentos que facilitem a liberação das vítimas. A Defesa Civil insiste para que moradores evitem retornar a prédios interditados, já que tremores secundários ainda podem ocorrer.
Especialistas em gestão de desastres observam que a experiência recente evidencia a necessidade de revisar códigos de construção e intensificar campanhas de preparação para abalos sísmicos, sobretudo em zonas costeiras. Mesmo em meio à dor, comunidades organizam mutirões de arrecadação de água, roupas e alimentos, numa demonstração de solidariedade que tenta amenizar o impacto da maior catástrofe natural registrada no país nas últimas décadas.
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