O candidato de esquerda Roberto Sánchez, líder da coligação Juntos pelo Peru, reconheceu nesta segunda-feira (06/07) a vitória da conservadora Keiko Fujimori no segundo turno da eleição presidencial peruana. O posicionamento foi oficializado em comunicado divulgado pelo partido, três dias depois de a Comissão Nacional Eleitoral proclamar o resultado final do pleito.
“Reconhecemos que a Comissão Nacional Eleitoral proclamou oficialmente os resultados eleitorais”, destacou o texto assinado por Sánchez.
O reconhecimento veio após semanas de contestação pública. Sánchez vinha declarando desde o fim da apuração que havia irregularidades graves nos votos depositados no exterior, argumento que sustentou diversos recursos encaminhados à Junta Nacional Eleitoral (JNE). Apesar da admissão da derrota, ele frisou que seguirá apontando supostas falhas que, segundo ele, comprometeram a lisura do processo.
“Isso não implica renúncia ao direito de sinalização e denúncia das irregularidades que se apresentam durante o processo eleitoral, que, sem conhecimento público, afetam o processo eleitoral desde o início”, reforçou o ex-presidenciável.
No dia 23 de junho, antes da conclusão oficial da contagem, Sánchez havia avisado que não aceitaria eventual vitória de Fujimori caso a JNE não anulasse os votos de peruanos residentes no exterior. De acordo com sua equipe, mais de 300 mil eleitores teriam sido prejudicados pela falta de digitalização das atas de apuração em repartições consulares.
Em coletiva de imprensa naquele dia, o político afirmou existir uma “fraude em curso” e solicitou providências imediatas. O pedido formal foi apresentado um dia antes, mas o órgão eleitoral não acatou o recurso. O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) já havia decidido, em 29 de maio, interromper a digitalização imediata dos resultados provenientes do exterior, atendendo solicitação do Ministério das Relações Exteriores do país.
Mesmo enfrentando críticas de observadores internacionais, a equipe de Sánchez insistiu que a medida colocou em risco a transparência da eleição. A JNE, contudo, considerou que a documentação física entregue pelas mesas de votação era suficiente para validar os boletins.
Com a derrota reconhecida, Keiko Fujimori consolida seu retorno ao centro da política peruana. A nova presidente eleita deverá tomar posse em 28 de julho, data tradicional para a transferência de comando no Peru. Enquanto isso, setores aliados de Sánchez discutem se recorrerão a instâncias judiciais para manter vivas as denúncias ou se atuarão como oposição formal no próximo Congresso.
Nos bastidores, lideranças de Juntos pelo Peru defendem que a participação eleitoral de mais de 75% dos cidadãos demonstra vitalidade democrática, mesmo diante das controvérsias. Especialistas em direito eleitoral afirmam que, a partir do momento em que o candidato admite o resultado, torna-se improvável a reversão judicial do placar, mas reconhecem que a investigação de denúncias pode prosseguir em paralelo.
A confirmação da vitória de Fujimori encerra uma campanha marcada por forte polarização ideológica e por debates sobre a condução da economia e do combate à corrupção. Observadores internacionais apontaram que, apesar de incidentes pontuais, o processo atendeu aos padrões mínimos de integridade. A expectativa agora recai sobre a transição de governo e a capacidade de diálogo entre vencedores e vencidos para garantir estabilidade política ao país andino.
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