O vice-campeonato mundial da Argentina veio acompanhado de um pedido de reconhecimento. Horas depois da derrota por 1 a 0 para a Espanha, na prorrogação da final disputada neste domingo, 19 de julho, Lionel Scaloni admitiu em entrevista coletiva que a seleção europeia apresentou mais recursos para levantar a taça, mas reforçou que a trajetória albiceleste merece aplausos.
“Eles foram melhores, essa é a verdade, mas guardarei com carinho a lembrança deles, do que conquistaram e da importância de chegar até aqui. Precisamos valorizar imensamente isso, pois exige muito esforço”
O treinador destacou que o grupo soube lidar com o revés com a mesma compostura demonstrada nas conquistas de 2021 (Copa América) e 2022 (Copa do Catar). Para ele, a postura nas derrotas é tão reveladora quanto a euforia nas vitórias.
“Sabemos ser dignos na vitória e devemos ser dignos na derrota. Hoje, mostramos que sabemos perder. Perdemos a partida e aceitamos isso, mas isso não significa que vamos parar de viver ou esquecer tudo o que fizemos para chegar aqui”
Scaloni passou boa parte da conferência agradecendo. Primeiro, dirigiu palavras de estímulo ao torcedor que lotou o Estádio MetLife, em Nova Jersey, formando um mar celeste-e-branco nas arquibancadas. Depois, elogiou o empenho de atletas como Lionel Messi, que completou 39 anos durante a competição, e do jovem atacante Valentín Carboni, revelação de 21 anos, escalado para o segundo tempo.
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“Aos torcedores, aos meus jogadores e ao país: quero dizer que demos tudo de nós. Chegamos aqui encarando a realidade, mas quando os jogadores se entregam totalmente, como fizeram hoje, isso serve de grande exemplo para o nosso povo e para o nosso país. Precisamos nos reerguer. Não há outro caminho”
A partida em Nova Jersey transcorreu com equilíbrio no tempo regulamentar. A Argentina criou chances com Enzo Fernández, enquanto a Espanha ameaçou com Pedri e Dani Olmo. O gol decisivo saiu aos 11 minutos da segunda etapa da prorrogação, quando Nico Williams aproveitou cruzamento de Lamine Yamal e, de cabeça, venceu o goleiro Emiliano Martínez. Nenhum lance gerou polêmica de VAR, e a arbitragem do francês Clément Turpin foi considerada segura.
Com o resultado, a Espanha conquistou o seu segundo título mundial, repetindo o feito de 2010, e quebrou a invencibilidade argentina em finais desde 2021. Para Scaloni, porém, o saldo dos últimos cinco anos continua positivo. Ele lembrou que, em 2018, assumiu uma equipe em reconstrução e, desde então, levantou três troféus – Copa América, Finalíssima e Mundial do Catar – além do vice obtido agora.
“Certamente valorizo o vice-campeonato, pois é muito difícil chegar até aqui, e acho que isso merece enorme reconhecimento. Naturalmente, gostaríamos de ter vencido, mas, no fim das contas, sinto gratidão. Essa é a única palavra que tenho, além da tristeza, é claro. Mas, quando você deixa tudo em campo dessa maneira, independentemente de jogar bem ou mal, é muito difícil encontrar qualquer defeito”
O técnico deixou em aberto seu futuro no comando da seleção, afirmando que qualquer decisão será tomada após “um período de análise e descanso”. Por ora, a prioridade é permitir que o elenco absorva a experiência, recupere as energias e volte a competir já em setembro, quando começam as Eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2030.
Mesmo sem a taça, a campanha reuniu ingredientes marcantes: virada dramática sobre a Alemanha nas quartas, vitória nos pênaltis contra a França na semifinal e, sobretudo, a confirmação de uma geração que combina os veteranos Messi, Di María e De Paul com promessas como Carboni, Garnacho e Soule. A confiança é de que essa mescla continuará levando a Argentina a brigar na primeira prateleira do futebol mundial.
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