Dois relatórios apresentados na COP17, em Ulaanbaatar, apontam pressões inéditas sobre água, saúde do solo e clima em pequenos países insulares e na Ásia Central. As publicações integram o Global Land Outlook.
Dois relatórios lançados nesta quarta-feira (26) alertam que os pequenos países insulares em desenvolvimento (SIDS) e a Ásia Central estão sofrendo pressões sem precedentes sobre recursos hídricos, saúde do solo e clima. As publicações foram apresentadas oficialmente na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que está sendo realizada em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.
Os textos integram o Global Land Outlook (GLO), principal publicação da convenção sobre a terra, que já teve duas versões principais — GLO1, de 2017, e GLO2, de 2022 — além de seis relatórios regionais, entre os quais o da América Latina. No total, mais de 50 países e territórios são identificados como afetados por processos de degradação, seca e perda de serviços ecossistêmicos.
Na Ásia Central — formada por Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão — a imagem histórica de estepes vastas e oásis férteis vem se alterando. A região é apontada como um dos epicentros mundiais da degradação do solo: mais de 80 milhões de hectares, ou mais de um quarto do território, já estão degradados. O problema atinge cerca de 30% da população, o que equivale a 24 milhões de pessoas.
O cálculo do organismo responsável pelos relatórios estima perdas econômicas anuais entre US$ 2 bilhões e US$ 6 bilhões devido à degradação. Além disso, a Ásia Central está aquecendo a uma taxa duas vezes superior à média global e as geleiras, que antes funcionavam como “torres de água” da região, encolheram 30% em apenas cinquenta anos.
Entre os SIDS — que reúnem 39 países e 18 territórios no Caribe, Pacífico, Atlântico e Índico, além do Mar do Sul da China — os impactos também são expressivos. Cerca de 18,8 milhões de hectares, ou 16,5% da área total combinada, estão degradados em diferentes graus, ligeiramente acima da média mundial.
Mais de 70% desses territórios enfrentam problemas de escassez de água e 43% da área total está sendo afetada pela seca. Destes territórios, 3% sofreram seca severa e 6% seca extrema. A área total afetada pela seca extrema cresceu 30% entre os períodos de 1961/1970 e 2014/2023.
Os relatórios estimam que 16,3 milhões de pessoas nos SIDS enfrentam insegurança alimentar grave, com 11,5 milhões de pessoas subnutridas. Atualmente, esses países recebem cerca de US$ 2 bilhões por ano em financiamento público para adaptação — equivalente a aproximadamente 0,2% do financiamento climático global —, mas a estimativa de necessidade chega a pelo menos US$ 11,7 bilhões anuais, quase seis vezes o nível atual.
“A prioridade agora é acelerar esse progresso, ao investir na gestão responsável da terra, fortalecendo a cooperação regional e internacional e garantindo que as pessoas e os ecossistemas permaneçam no centro das decisões de desenvolvimento.”
A fala acima foi atribuída à secretária executiva da UNCCD.
*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.
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