A discussão entre a senadora paraguaia Celeste Amarilla e o atacante francês Kylian Mbappé ganhou novos capítulos HOJE, 07/07/2026. A parlamentar afirmou que entrará com uma ação judicial contra o capitão da França depois de ter sido chamada por ele de “mulher desprezível e indigna de seu cargo”. A troca de farpas começou após a vitória francesa por 1 a 0 sobre o Paraguai nas oitavas de final da Copa do Mundo, quando Mbappé se recusou a cumprimentar o goleiro Orlando Gill e festejou de punhos cerrados diante do rival.
Nas redes sociais, Amarilla considerou a postura do jogador antidesportiva e o classificou como “um camaronês colonizado”. Posteriormente, em nota pública, ela admitiu exagero e pediu desculpas, mas cobrou que o atleta faça o mesmo. Mesmo assim, avisou que pretende recorrer à Justiça paraguaia alegando violência de gênero.
“Seus ataques constituem violência de gênero pura e dura contra uma mulher que chegou ao Senado pelo voto popular”, declarou Celeste Amarilla.
Determinada, a senadora lembrou um episódio que repercutiu internacionalmente: a detenção de Ronaldinho Gaúcho em Assunção, em 2020.
“Não se meta com os paraguaios, Mbappé. Nós já mandamos o Ronaldinho para a cadeia”, provocou a parlamentar.
Do outro lado, Mbappé retrucou de forma dura.
“Senhora Celeste Amarilla, você não representa o Paraguai. Sua falta de consciência e seu racismo descarado apagam o esforço histórico dos jogadores do seu país nesta Copa”, escreveu o atacante na plataforma X.
A Federação Francesa de Futebol (FFF) saiu em defesa do seu capitão. Em comunicado, a entidade afirmou que as declarações de Amarilla são “abjetas e inaceitáveis” e que insultam não apenas o atleta, mas toda a nação francesa. O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, por sua vez, divulgou nota para reforçar que as palavras da senadora não correspondem à posição oficial do governo.
Celebre ou não judicial, o embate coloca em lados opostos não apenas dois protagonistas, mas também o debate sobre racismo e machismo no esporte. Mbappé, 27 anos, tornou-se figura central na seleção francesa e inspira milhões de torcedores. Já Celeste Amarilla, representante do Partido Liberal Radical Autêntico, é conhecida por declarações contundentes dentro e fora do plenário.
Analistas entendem que, caso a ação seja protocolada, o processo poderá envolver pedidos de retratação pública, indenização por danos morais e possível investigação sobre incitação ao ódio. Juristas paraguaios ressaltam que a tipificação de violência de gênero inclui agressões verbais direcionadas a mulheres em cargos públicos.
A partida em que tudo começou seguiu roteiro tenso do primeiro ao último minuto. Antes de entrar em campo, Mbappé já havia mostrado disposição para o confronto ao declarar: “Se tivermos de colocar as mãos na merda, vamos colocar”. O comentário foi interpretado pelos paraguaios como referência direta à Albirroja. Depois dos 90 minutos e do triunfo europeu, a situação descambou no túnel de acesso, lugar em que o francês ignorou o cumprimento de Gill.
Enquanto a Copa do Mundo segue para as quartas de final, o tribunal das redes sociais continua com placar indefinido. Do ponto de vista diplomático, autoridades de ambos os países preferem conter a temperatura, mas reconhecem que a polêmica pode se arrastar por semanas. O episódio relança, ainda, o debate sobre civilidade entre atletas de elite e personalidades públicas, sobretudo quando as linhas entre crítica legítima, racismo e misoginia tornam-se turvas.
Na arena jurídica ou no estádio, o capítulo Mbappé x Amarilla revela como a rivalidade esportiva atravessa fronteiras e alcança temas sensíveis da sociedade contemporânea. Por ora, a senadora aguarda uma retratação formal do jogador, enquanto o francês foca na próxima fase do torneio. Resta saber se o embate sairá das redes e entrará efetivamente nos tribunais paraguaios.
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