Depois de encerrar a participação na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, Turquia, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump optou por não embarcar no recém-adaptado Boeing 747-8 — aeronave que recebeu pintura e configuração presidencial após doação do Catar. Em vez disso, Trump deixou o país no tradicional VC-25A, conhecido mundialmente como Air Force One desde a década de 1990.
Em declarações iniciais a repórteres, o republicano alegou que enviara o jato mais novo previamente para a base da RAF Mildenhall, no Reino Unido, “por nostalgia” e para que militares norte-americanos pudessem se familiarizar com o cockpit modernizado. A narrativa, contudo, ganhou novo contorno poucas horas depois, quando bastidores em Washington passaram a apontar preocupações de segurança por trás da troca.
Fontes consultadas pelo New York Times relataram que o Serviço Secreto recomendou a mudança como ação preventiva. O alerta não se baseou em ameaça específica, mas em avaliação de risco elevada no período em que Estados Unidos e Irã voltavam a trocar ataques. Trump ainda se encontrava a cerca de mil quilômetros do território iraniano, fator considerado sensível pelo aparato de proteção presidencial.
“A vida de um presidente é muito perigosa”, respondeu Trump ao ser questionado se o Irã motivou a decisão.
Especialistas em aviação militar lembraram que o VC-25A foi concebido para resistir a cenários de guerra, dispondo de sistemas avançados de alerta contra mísseis, contramedidas eletrônicas, comunicações militares altamente protegidas e centro de comando completo para gestão de crises. Já o 747-8 doado pelo Catar, convertido em tempo recorde, ainda não recebeu todos esses equipamentos, sendo tratado pelo governo como solução provisória até a entrega dos futuros Air Force One, prevista para 2028.
A conjuntura internacional reforçou a cautela. No mesmo dia em que Trump deixou a Turquia, Washington havia executado novos ataques contra alvos ligados a Teerã, e o regime iraniano prometia retaliar. O próprio ex-presidente repetiu em entrevistas que se considera “o número um na lista” do Irã.
“Empregamos rotas alternativas e, às vezes, trocamos de aeronave quando o nível de ameaça sobe”, admitiu o diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, ao comentar o episódio.
O porta-voz frisou que o 747-8 possui protocolos modernos de proteção, mas que o governo mantém a flexibilidade operacional como camada adicional de segurança. Ele evitou confirmar detalhes técnicos, citando sigilo militar.
Enquanto o debate sobre a segurança aérea do comandante em chefe continua, o VC-25A mais uma vez comprovou relevância quase quatro décadas após entrar em serviço. A aeronave, equipada com blindagem reforçada e capacidade de reabastecimento em voo, voltou a ser a preferência do Serviço Secreto em momento considerado delicado no tabuleiro geopolítico.
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