Uma história de resistência mobilizou equipes internacionais em Catia La Mar, no estado venezuelano de La Guaira. Hernán Gil, de 43 anos, foi retirado dos escombros na quinta-feira, 02/07, depois de suportar oito dias em meio a concreto, vigas retorcidas e incertezas. O prédio onde estava, de sete andares, desabou parcialmente em 24 de junho, quando abalos sísmicos de 7,2 e 7,5 graus de magnitude sacudiram o país com intervalo inferior a um minuto.
Desde a madrugada de segunda-feira, 29/06, bombeiros e especialistas em resgate dos Estados Unidos, El Salvador, Costa Rica, Portugal, México, Chile e Venezuela uniram forças para alcançar o sobrevivente. As primeiras sondagens indicaram sinais vitais e, logo, tubos improvisados passaram a fornecer água, oxigênio e comunicação ao venezuelano, que aguardava num espaço diminuto protegido por móveis.
“Ele não se machucou, não tem traumatismos, ele conseguiu se esconder debaixo de uma mesa, de uma cadeira”, relatou a esposa, Gusbimar González, enquanto acompanhava cada avanço dos socorristas.
No domingo, 30/06, os bombeiros confirmaram que Gil permanecia consciente e orientado. A partir daí, o foco se voltou para a construção de um túnel com pouco mais de três metros. Quase 30 profissionais trabalharam de forma ininterrupta no estacionamento do edifício, retirando destroços manualmente a fim de evitar novos desabamentos.
A operação atingiu o clímax às 10h12 de quinta-feira. Entre aplausos e abraços, Hernán emergiu em maca rígida, protegido por colar cervical. Apesar do longo período de confinamento, as avaliações iniciais apontaram quadro estável. Ele foi colocado em ambulância equipada com suporte avançado de vida e encaminhado a hospital de referência em Caracas, distante 40 quilômetros.
Os tremores de terra deixaram até agora quase 2.300 mortos confirmados e milhares de desaparecidos, segundo levantamentos oficiais. Bairros inteiros ficaram sem energia, água potável e serviços básicos. Equipes de busca seguem trabalhando em diferentes pontos do país em busca de vítimas que possam estar vivas nos escombros.
Autoridades venezuelanas prometeram ampliar o número de efetivos e equipamentos de detecção sonora para acelerar operações semelhantes às que salvaram Hernán Gil. Organizações humanitárias ressaltam, porém, que as primeiras 72 horas são cruciais. O resgate bem-sucedido, oito dias após o desastre, foi classificado como “improvável e inspirador” por especialistas e serviu de motivação para os milhares de voluntários que permanecem na linha de frente.
Enquanto familiares comemoram o reencontro, médicos alertam que a recuperação inclui riscos de infecção, falha renal e complicações emocionais. Gil seguirá em observação pelos próximos dias. O caso reforçou a importância da cooperação internacional em emergências sísmicas e reacendeu debates sobre a segurança estrutural de prédios erguidos em zonas de atividade tectônica.
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