Moradores do estado venezuelano de La Guaira ainda tentam compreender a destruição provocada pelos dois fortes tremores que sacudiram o país na noite de 24 de junho. Os abalos, de magnitudes 7,2 e 7,5, deixaram pelo menos 164 mortos, quase mil feridos e um número impreciso de desaparecidos sob os escombros. Boa parte dos desabrigados permanece nas ruas, receosa das mais de vinte réplicas registradas até agora.
Localizada a cerca de 40 minutos de Caracas, La Guaira concentra o maior número de vítimas. O governo interino declarou a região zona de desastre, medida que aciona protocolos emergenciais e mobiliza reforços de equipes especializadas em busca e salvamento. Mesmo assim, relatos apontam falta de maquinário pesado e de equipamentos para acelerar a retirada de blocos de concreto e vigas retorcidas.
“Foi terrível. Tudo, tudo desabou”, resume a doméstica Yilsmaris Blanco, 39 anos, ao observar o que restou de Catia la Mar, um dos bairros mais atingidos.
No município litorâneo, aproximadamente 200 torres residenciais sofreram danos estruturais severos. Algumas permanecem de pé, mas com rachaduras profundas que deixam instalações internas expostas ao ar livre; outras foram ao chão por completo. A falta de energia elétrica amplia o temor de novos desmoronamentos durante a madrugada.
“Não temos nada, nem forças para entrar nos prédios e resgatar quem ficou preso”, lamenta o motorista Larry Rojas, 49.
Equipes de resgate percorrem corredores estreitos formados por escombros, enquanto vizinhos gritam os nomes de familiares na tentativa de localizar sobreviventes. Sem luz, moradores recorrem a lanternas domésticas e aos faróis de viaturas de emergência para iluminar fendas onde ainda se ouvem pedidos de socorro.
Preços vistos na Amazon em 07/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
“O que falta é ajuda, principalmente equipamentos que estão em Caracas. Precisamos que cheguem logo”, apela José Pacheco, 52, chefe de operações do Grupo Rescate Unido de Venezuela.
O isolamento de vias após deslizamentos de terra atrasa o deslocamento de retroescavadeiras e geradores. Profissionais de saúde voluntários montaram postos improvisados para prestar atendimento básico, mas relatam escassez de água potável e de medicamentos analgésicos.
“De repente tudo começou a tremer. Abracei a parede, mas o edifício cedeu”, relembra o vendedor Antonio Bermúdez, 48, que sofreu fratura na perna quando uma laje caiu sobre ele.
Enquanto aguardam reforços, moradores reforçam a solidariedade. Grupos de vizinhos dividem garrafas de água, colchões e cobertores trazidos às pressas de casas parcialmente intactas. Profissionais de engenharia avaliam o risco de colapso de estruturas que ainda resistem, orientando a população a permanecer em áreas abertas.
Autoridades confirmam que abrigos provisórios foram montados em escolas e quadras esportivas fora do perímetro mais crítico. Brigadas de defesa civil também distribuem kits de higiene e cestas básicas, mas reforçam que a prioridade continua sendo a localização de pessoas soterradas. Com a possibilidade de novas réplicas, especialistas pedem que a população evite retornar aos prédios avariados antes de laudos técnicos conclusivos.
Ainda não há estimativa oficial para a reconstrução de La Guaira. Economistas locais alertam que a recuperação exigirá investimentos robustos em infraestrutura e moradia popular. Para as famílias que perderam tudo, porém, a urgência é outra: encontrar parentes, garantir água, comida e um teto seguro enquanto a terra segue tremendo.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.








