Uma cena de alívio em meio à devastação emocionou equipes de emergência e moradores da cidade costeira de La Guaira, na Venezuela. Trinta horas depois dos dois fortes terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que sacudiram o país na noite de 24 de junho, a adolescente Fabiaba Blanco, de 12 anos, foi retirada viva dos escombros do edifício Residencia Ritamar. O momento do resgate, marcado pelo sorriso tranquilo da menina, rapidamente se espalhou pelas redes sociais e tornou-se símbolo de esperança para um país ainda em busca de sobreviventes.
De acordo com os bombeiros, Fabiaba permaneceu presa entre blocos de concreto, madeira retorcida e cabos elétricos. A operação de retirada levou cerca de quatro horas e exigiu o uso de equipamentos hidráulicos e trabalho manual delicado para evitar novos desabamentos. Durante todo o processo, relataram os socorristas, a jovem manteve uma calma incomum e chegou a trocar palavras de encorajamento com a equipe, comportamento que ajudou a manter o foco dos profissionais em um ambiente de tensão constante.
Os tremores afetaram severamente La Guaira, uma das regiões mais castigadas. Segundo balanço oficial divulgado uma semana após o desastre, o país soma 2.295 mortos, cerca de 11 mil feridos e milhares de desaparecidos. Hospitais funcionam no limite, enquanto voluntários se mobilizam para doar sangue, alimentos e roupas. Abrigos provisórios, montados em ginásios e escolas, concentram famílias que perderam suas casas ou aguardam informações sobre parentes.
Paralelamente, equipes internacionais de busca e salvamento continuam chegando ao território venezuelano para reforçar o trabalho local, sobretudo em áreas de difícil acesso nas montanhas e em cidades litorâneas. Cães farejadores, drones com câmeras térmicas e sensores de movimento auxiliam na localização de possíveis sobreviventes sob os escombros.
“Cerca de 59 mil edifícios podem ter sido danificados ou destruídos”, estimou análise preliminar da Nasa com base em imagens de satélite.
O governo decretou estado de emergência nacional e mobilizou recursos para acelerar a distribuição de água potável, energia elétrica e medicamentos. Ao mesmo tempo, especialistas em engenharia estrutural vistoriam prédios que ainda apresentam risco de colapso, enquanto geólogos monitoram a atividade sísmica para avaliar a possibilidade de novos abalos.
Fabiaba foi encaminhada a um hospital militar próximo, onde passou por exames e recebeu hidratação intravenosa. Médicos informaram que seu estado de saúde é estável, com apenas escoriações leves e sinais de desidratação. Familiares aguardam a liberação para reencontrá-la e reforçam a determinação de reconstruir a vida após o desastre. Para muitos venezuelanos, o sorriso da jovem nos braços dos bombeiros tornou-se um lembrete poderoso de que, mesmo nas circunstâncias mais adversas, a esperança persiste.
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