André Mendonça deu cinco dias para a PGR se manifestar sobre relatório da PF. O documento da Operação Compliance Zero, tornado público em 1º de setembro, cita Alexandre de Moraes e Paulo Gonet.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente posicionamento a respeito do relatório da Polícia Federal (PF) que menciona o ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet.
O documento foi elaborado no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura supostas fraudes financeiras envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. O material permaneceu sob sigilo até 1º de setembro e foi tornado público nessa data.
Segundo a PF, as referências a Moraes e Gonet surgiram após a quebra de sigilo do telefone de Vorcaro. Os peritos afirmaram que o investigado manteve diálogo direto com um contato salvo no aparelho como “Ministro”, mas parte dos registros teria sido apagada porque as mensagens eram escritas no bloco de notas do aplicativo, formato que impede a recuperação integral dos textos.
“Estava tentando antecipar os investigadores”
A frase acima constou em conversa atribuída a Vorcaro com o número salvo como ministro em 17 de novembro de 2025, conforme o relatório. Os agentes ressaltaram que não foi possível confirmar a totalidade do teor trocado entre os interlocutores.
Em relação a Paulo Gonet, ele não aparece nos diálogos de forma direta. De acordo com os investigadores, o nome do procurador-geral surgiu em 2024 em troca de mensagens entre Vorcaro e um interlocutor identificado como Ciro Soares. Na ocasião, Soares mencionou:
“Gonet é firme”
O mesmo documento aponta que o diretor-geral da PF, Andrei Passos, também foi citado. Nesse trecho, o ex-deputado Fábio Faria perguntou a Vorcaro, em abril de 2024, se haveria a possibilidade de convidar Passos para um evento em Londres. Em sequência, uma pessoa identificada como secretária do diretor-geral fez contato com a organização do encontro para alinhar detalhes da viagem. Os investigadores sublinharam que Passos não estava entre os contatos salvos no celular de Vorcaro.
Com o prazo definido por Mendonça, a PGR deverá avaliar se há elementos para adotar providências judiciais ou administrativas. Até a publicação desta matéria, o órgão ainda não havia protocolado manifestação.
O relatório da PF permanece em análise no STF e pode subsidiar eventuais medidas cautelares ou novos pedidos de diligência. A defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades e sustenta que nenhuma conversa prova interferência indevida de autoridades nos fatos apurados.
A Operação Compliance Zero, deflagrada em 2025, mira suposto esquema de concessão irregular de crédito e manipulação de balanços no Banco Master. O inquérito segue em curso e não há, por ora, denúncia formal oferecida ao Judiciário.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









