O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e determinou sua transferência para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (BPM-DF), unidade conhecida como “Papudinha”. A decisão foi proferida na quinta-feira, 25/06, após análise de pedido da defesa que tentava converter a custódia em regime domiciliar.
Vorcaro estava recolhido na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) em Brasília. Em ofício encaminhado ao Supremo, a PF informou que a permanência do investigado em suas instalações não seria adequada por período prolongado, apontando limitações de espaço e a necessidade de preservar a rotina operacional do órgão.
“A manutenção do custodiado em suas dependências, por tempo adicional, não se revelaria adequada”, comunicou a Polícia Federal.
Os advogados do banqueiro também classificaram como “inadequada” a continuidade da detenção nas celas da PF e pediram a aplicação de prisão domiciliar. O ministro, porém, não acolheu o pleito. Mendonça justificou que as razões apresentadas não se sobrepõem aos fundamentos que levaram à decretação da preventiva, focadas, segundo ele, na necessidade de garantir a ordem pública e evitar interferências nas investigações.
Na manifestação enviada ao STF, a própria PF sugeriu a remoção de Vorcaro para o 19º BPM-DF, destacando que a unidade possui melhores condições de segurança, monitoramento e infraestrutura. Mendonça acatou a recomendação.
“A medida mais recomendável é a transferência, pois o batalhão reúne condições mais adequadas de segurança, custódia e suporte ao preso”, argumentou a corporação.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também opinou a favor do deslocamento. Para o órgão, a exposição midiática do caso e os riscos inerentes ao encarceramento em cela comum tornam necessária a permanência de Vorcaro em ambiente controlado. O Ministério Público citou ainda a possibilidade de que o investigado utilizasse o sistema prisional para orientar outros membros da suposta organização criminosa sob apuração.
“Há riscos inerentes à transferência para uma cela comum, além da ampla repercussão do processo”, apontou a PGR.
Diante das manifestações convergentes, Mendonça concluiu que a transferência se mostra proporcional e adequada. O magistrado determinou que as autoridades responsáveis adotem as providências logísticas para o deslocamento, assegurando a integridade física do réu e o cumprimento das normas de custódia.
O processo envolvendo Daniel Vorcaro tramita sob sigilo, mas as investigações apontam suspeitas de participação em esquema financeiro irregular. Com a permanência da prisão preventiva, o banqueiro continuará à disposição da Justiça enquanto são colhidos novos elementos probatórios.
O 19º BPM-DF, apelidado de “Papudinha” por abrigar detentos de perfil diferenciado, tornou-se o destino de presos considerados de alto risco ou que, por razões de segurança, não podem permanecer em alas comuns. A unidade costuma receber réus com foro especial ou grande repercussão pública.
Não há prazo definido para eventual reavaliação da medida. A defesa de Vorcaro pode renovar pedidos no decorrer do processo, mas, por ora, a decisão de Mendonça mantém o banqueiro sob custódia militar, à espera dos desdobramentos judiciais.
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