A PGR pediu que André Mendonça assuma mais um caso no STF: o financiamento do filme de Bolsonaro. A conexão com o caso Master, que prendeu o banqueiro Vorcaro, justifica a unificação.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta segunda-feira, 22/06, que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja o responsável por relatar o pedido de abertura de inquérito sobre os pagamentos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o longa-metragem “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mendonça já conduz o chamado caso Master, investigação que levou Vorcaro à prisão, e a PGR avaliou que a conexão entre os fatos justifica a unificação da relatoria.
O parecer foi elaborado a pedido do ministro Alexandre de Moraes, relator de processos que envolvem o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A solicitação chegou ao gabinete de Moraes por meio de petição apresentada pelo deputado Lindberg Farias (PT-RJ), que alegou possível relação entre o financiamento do filme e supostas tratativas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Vorcaro. Segundo o parlamentar, mensagens trocadas em novembro de 2025 indicam que Flávio requisitou recursos privados ao banqueiro para bancar as gravações.
Diante do posicionamento da PGR, Moraes encaminhou ofício ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para que ele decida, em última instância, qual magistrado permanecerá com a relatoria. A expectativa é que a definição ocorra nos próximos dias, já que o inquérito pode impactar a pré-campanha de Flávio à Presidência da República.
No mesmo documento, Lindberg pediu que se amplie a investigação a respeito das ações de Eduardo Bolsonaro no exterior. O parlamentar sustenta que o ex-deputado atuou para pressionar parlamentares norte-americanos a adotar sanções contra o Brasil, prática que, na visão dele, estaria ligada ao fluxo financeiro destinado ao filme.
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Eduardo Bolsonaro é réu em processo separado que também corre sob relatoria de Moraes. Na semana passada, o deputado foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. A defesa recorreu da sentença.
O caso traz repercussões diretas para o setor audiovisual, pois “Dark Horse” é apontado como um dos lançamentos de maior orçamento previstos para 2027. O projeto ganhou notoriedade quando o site The Intercept revelou as conversas envolvendo o senador Flávio e o banqueiro Vorcaro. Após a divulgação, Flávio afirmou que não houve promessa de vantagem indevida e ressaltou que os valores eram de origem privada.
Se confirmada a redistribuição para Mendonça, o inquérito passará a tramitar em conjunto com o caso Master, que apura crimes financeiros e lavagem de dinheiro envolvendo instituições ligadas a Vorcaro. Especialistas veem no movimento da PGR uma tentativa de evitar decisões conflitantes e acelerar a coleta de provas, já que parte dos documentos bancários está sob sigilo no gabinete de Mendonça.
Enquanto o impasse não é resolvido, o roteiro de “Dark Horse” segue em fase de ajustes, e a equipe de produção prefere não comentar as investigações. Produtores estimam que o orçamento ultrapasse R$ 40 milhões, com filmagens previstas para começar em outubro.
Nos bastidores do STF, ministros avaliam que a disputa pela relatoria reflete a complexidade do caso, que mistura financiamento privado, campanha eleitoral e eventuais crimes contra o sistema financeiro. A decisão de Fachin, portanto, terá impacto não apenas na esfera judicial, mas também no cenário político nacional.
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