O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva da influenciadora digital Deolane Bezerra, de 38 anos, detida desde 21 de maio durante a Operação Vérnix, conduzida em conjunto pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil. A decisão, assinada pelo ministro Ribeiro Dantas em 1º de julho, negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. O despacho tramita em segredo de Justiça e não teve seu inteiro teor divulgado, mas confirma a compreensão de que os requisitos para a manutenção da custódia permanecem válidos.
Deolane foi alvo da operação após a apuração de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com sua renda declarada. Segundo os promotores, ela teria atuado para ocultar valores provenientes de atividades ilícitas atribuídas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações indicam que a influenciadora movimentou quantias elevadas em contas bancárias próprias e de empresas em que figura como sócia, efetuando repasses que, para o Ministério Público, ajudariam a mascarar a origem do dinheiro.
Além de Deolane, também virou réu no mesmo inquérito Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado há anos como um dos líderes da facção. Ele já se encontrava recolhido na Penitenciária Federal de Brasília quando foi denunciado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. As acusações contra ambos foram aceitas pela Justiça paulista no fim de junho.
A defesa de Deolane sustenta que não há provas de que a influenciadora tenha atuado com a finalidade de legalizar recursos ilícitos, alegando que seus rendimentos decorrem de contratos publicitários, parcerias digitais e presença constante em eventos patrocinados. Os advogados argumentam ainda que a prisão é desnecessária, pois a investigada possui endereço fixo, colabora com as autoridades e não registra antecedentes criminais.
Os procuradores, porém, enxergam risco concreto à ordem pública caso a suspeita seja liberada. Para o MPSP, a liberdade permitiria interferência na produção de provas e continuidade de supostas atividades criminosas. O STJ concordou com esse posicionamento ao analisar o pedido de soltura.
Natural de Pernambuco, Deolane ganhou notoriedade nacional após o falecimento do marido, o cantor MC Kevin, em 2021. Desde então, consolidou carreira como personalidade das redes sociais, acumulando mais de 20 milhões de seguidores e exibindo rotineiramente viagens internacionais, joias e automóveis de luxo. As publicações chamaram a atenção dos investigadores, que cruzaram dados de movimentação bancária e contratos publicitários, chegando à conclusão de que parte dos valores não apresentava lastro econômico identificável.
Com a decisão do STJ, a influenciadora continuará presa enquanto o processo tramita na Justiça paulista. A defesa ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) com novo pedido de liberdade, mas não há prazo definido para a análise de eventual recurso.
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