O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na quarta-feira, 1º de julho, manter a prisão preventiva da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, detida desde 21 de abril durante a Operação Vérnix. O ministro Ribeiro Dantas negou o pedido de habeas corpus em caráter liminar que pretendia libertá-la até o julgamento do mérito.
O processo corre em segredo de Justiça, mas os advogados de Deolane confirmaram que a decisão se limita à análise preliminar. A apreciação definitiva ficará a cargo da Quinta Turma, marcada para agosto.
“O que foi apreciado agora é apenas a liminar. Seguiremos demonstrando que ela sempre colaborou com as autoridades”, explicou a defesa, em nota.
Em 9 de junho o mesmo colegiado já havia rejeitado outro pedido de liberdade. Na ocasião, os ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Maria Marluce Caldas e Messod Azulay Neto destacaram a necessidade de exame aprofundado dos autos e pediram celeridade ao Tribunal de Justiça de São Paulo.
Para o relator, “não há ilegalidade na decisão do tribunal paulista que justifique um pronunciamento antecipado desta Corte”.
Deolane é investigada por supostamente participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A suspeita surgiu depois que a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo rastrearam valores repassados pela transportadora Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como “Lado a Lado Transportes”, apontada como braço financeiro da facção.
Segundo o inquérito, a empresa teria movimentado mais de R$ 20 milhões incompatíveis com o faturamento declarado ao Fisco. Parte desse montante teria sido enviada à influenciadora por meio de depósitos em espécie.
A Operação Vérnix, conduzida pela Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Presidente Prudente, também mirou outros nomes ligados ao PCC, entre eles Marco Camacho, o Marcola; seu irmão Alejandro; e parentes que, de acordo com os investigadores, gerenciavam o fluxo de dinheiro da organização.
Relatórios da polícia indicam que ordens saíam de dentro do sistema penitenciário federal e eram executadas por familiares do líder da facção. Bilhetes apreendidos em 2019 já citavam a necessidade de criar estruturas empresariais para camuflar recursos ilícitos, estratégia que teria sido concretizada com a transportadora.
Enquanto aguarda o julgamento de mérito no STJ, Deolane permanece à disposição da Justiça em estabelecimento prisional paulista. A defesa sustenta que as provas não mostram participação dela no esquema e insiste na revogação da prisão preventiva.
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