O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve marcar presença na convenção estadual e nacional do PSD, agendada para 26 de julho, na capital paulista. A expectativa é que o encontro oficialize a aliança entre o chefe do Executivo paulista, que busca a reeleição, e a sigla comandada pelo ex-ministro Gilberto Kassab.
Interlocutores próximos relatam que o acordo foi alinhavado durante um café, em São Paulo, nas últimas semanas. Na ocasião, Kassab e Tarcísio selaram os termos de um entendimento político que, apesar de ruídos recentes, permanece de pé. O pacto prevê apoio do PSD à campanha do governador em território paulista, enquanto o Republicanos manterá diálogo aberto sobre palanques regionais que possam beneficiar ambos os partidos em 2026.
O evento de julho será emblemático por outros motivos. Na mesma cerimônia, o PSD apresentará o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato da legenda à Presidência da República. A participação de Tarcísio, portanto, servirá para demonstrar que as alianças estaduais podem caminhar independentemente das escolhas nacionais, já que, no plano federal, o paulista apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o Palácio do Planalto.
Kassab e Tarcísio não dividem um palco desde os atritos que resultaram na saída do presidente do PSD da Secretaria de Relações Institucionais do governo estadual e na troca partidária do vice-governador, Felício Ramuth, que migrou para o MDB. Nos bastidores, aliados afirmam que as feridas políticas foram cicatrizadas após seguidas conversas reservadas.
“Sempre deixei claro que estaria com o governador na disputa paulista. O diálogo prevaleceu”,
afirmou Kassab a pessoas próximas, segundo relatos obtidos pela reportagem. Integrantes do Republicanos, por sua vez, destacam que a reafirmação do apoio do PSD traz segurança à montagem das chapas proporcionais, fundamentais para a corrida eleitoral do próximo ano.
Mesmo com o entendimento local, dirigentes do PSD admitem que há pontos a serem detalhados até o dia da convenção, como a composição do palanque e a distribuição de cargos em um eventual segundo mandato de Tarcísio. Um quadro considerado provável é a manutenção de espaços ocupados atualmente por filiados do PSD em secretarias estratégicas, a exemplo da pasta de Desenvolvimento Econômico.
Além de sacramentar a coligação, o ato de 26 de julho servirá para mostrar que Tarcísio conseguiu preservar a musculatura política de sua base, apesar das pressões exercidas por legendas concorrentes. O Republicanos avalia que a fotografia dos dois líderes lado a lado ajudará a neutralizar rumores sobre um possível distanciamento e a turbinará o discurso de unidade em torno da reeleição.
Nos corredores do Palácio dos Bandeirantes, a avaliação é que o gesto de Kassab também elimina incertezas que poderiam influenciar prefeitos e deputados ligados ao PSD a procurar outros rumos. Com a aliança reiterada, o governo paulista espera ampliar o leque de apoios na Assembleia Legislativa e facilitar a aprovação de projetos considerados prioritários.
Enquanto isso, o calendário eleitoral segue apertado. Até meados de agosto, partidos terão de realizar suas convenções e registrar candidaturas. A janela de articulações, portanto, permanece aberta, mas, para aliados de Tarcísio, o sinal verde de Kassab já garante uma base sólida para a largada da campanha.
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