Pesquisas internas não apontam impacto das críticas do petista. Equipe do governador paulista mantém cautela e evita confronto direto na pré-campanha presidencial.
A equipe que coordena a pré-campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mantém o tom cauteloso diante do aumento das críticas feitas pelo adversário Fernando Haddad (PT). De acordo com auxiliares próximos, os chamados trackings internos — pesquisas diárias que medem humores do eleitorado — não identificam variações significativas desde que o petista intensificou a artilharia sobre temas como privatização da Sabesp e segurança pública.
Nas últimas semanas, Haddad passou a mencionar com maior frequência, em entrevistas e postagens, a participação de Tarcísio na defesa da venda da companhia de saneamento e a política de policiamento adotada pelo Palácio dos Bandeirantes. A leitura do grupo governista, entretanto, é que o eleitorado demonstra fadiga com disputas marcadas por ataques mútuos e presta mais atenção a resultados práticos e propostas concretas.
Por esse motivo, Tarcísio não deve adotar, por ora, o confronto direto. A ideia é evitar desgaste prematuro e preservar capital político para o período oficialmente delimitado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Integrantes do núcleo estratégico lembram que eventuais críticas ganham repercussão maior quando lançadas durante a campanha oficial, momento em que o público costuma acompanhar debates com mais intensidade e proximidade da data de votação. Internamente, o slogan tem sido repetido à exaustão: “o eleitor premia quem mostra o que fez”.
Os responsáveis pela comunicação do governador comemoram a estabilidade obtida até agora. Eles relatam que as curvas observadas nas sondagens apontam pequena variação dentro da margem de erro, mesmo após a escalada de declarações de Haddad. A avaliação inclui a multiplicação de vídeos nas redes sociais do ex-ministro da Fazenda, peças em que associa a privatização da Sabesp a possíveis aumentos tarifários e críticas à política de segurança implantada pelo secretário Guilherme Derrite.
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Outro ponto sublinhado é o calendário eleitoral. Conforme lembram interlocutores, o início oficial da campanha marca também a liberação de inserções na televisão e no rádio, além de debates transmitidos em rede nacional. É nesse terreno que o comitê de Tarcísio acredita conseguir comparar gestão e promessas com maior impacto para o eleitor indeciso. Até lá, a ordem é ressaltar entregas, como obras de infraestrutura, expansão do Metrô e indicadores de redução de crimes contra o patrimônio.
Ainda assim, aliados de Tarcísio observam atentamente os movimentos do PT e identificam brechas estratégicas. Desde o ano passado, havia percepção de que a linha adotada por Haddad concentrava críticas em um mesmo eixo temático, reduzindo espaço para novas ofensivas. Essa avaliação persiste, embora não se descarte a possibilidade de o petista diversificar o repertório quando as inserções e os debates começarem.
Nos bastidores, a disputa é encarada como antecipação de um segundo turno presidencial em escala estadual, já que ambos têm projeção nacional. O entorno de Tarcísio defende que ficar fora de brigas retóricas neste estágio preserva a imagem de gestor e facilita a ampliação de alianças, sobretudo entre partidos do centro político. Ao mesmo tempo, a equipe de Haddad argumenta que apontar fragilidades da gestão paulista é obrigação de quem deseja governar o Estado.
Por ora, o cenário permanece estável. Tarcísio mantém agenda pública recheada de inaugurações e anúncios, enquanto Haddad intensifica críticas em eventos partidários. A espera calculada do governador mira o momento em que cada palavra terá peso eleitoral reforçado. Até lá, a campanha aposta no silêncio estratégico como arma para neutralizar a ofensiva petista.
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