Um incidente aéreo envolvendo duas aeronaves espanholas mobilizou autoridades de aviação civil após os aviões entrarem em rota de colisão na região do Saara Ocidental, sobre o Oceano Atlântico. O episódio aconteceu em 10 de julho, às 15h02 no horário UTC, quando um Airbus A321-200N da Iberia, que realizava o trajeto Recife (PE) – Madri (Espanha), e um Boeing 787-9 da Air Europa, que seguia de Madri para o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), aproximaram-se perigosamente no mesmo nível de voo.
De acordo com relatório preliminar da Comissão Espanhola de Investigação de Acidentes e Incidentes de Aviação Civil (CIAIAC), as duas tripulações receberam alertas simultâneos do TCAS, sistema embarcado projetado para prevenir choques em pleno ar. O dispositivo detectou a convergência de rotas e emitiu instruções opostas: o Airbus deveria descer 500 pés (cerca de 150 metros) e o Boeing deveria subir 400 pés (aproximadamente 120 metros).
“Foi acionado um alerta ‘TCAS TA’ para o Airbus, seguido do ‘TCAS RA DESCEND’. Na outra aeronave, disparou-se o ‘TCAS RA CLIMB’. Ambas cumpriram as ordens imediatamente, mantendo a separação vertical prescrita”, descreve a nota técnica da CIAIAC.
Testemunhos de membros da tripulação, coletados pelos investigadores, indicam que o primeiro aviso soou cerca de 25 segundos antes do possível ponto de conflito. A reação imediata dos pilotos, somada à resposta automática do equipamento, restabeleceu a distância mínima de segurança em menos de meio minuto. Após a manobra, o A321 recebeu o comando “LEVEL OFF” para estabilizar o voo, enquanto o 787-9 ouviu o alerta “CLEAR OF CONFLICT”, sinalizando que o risco havia sido eliminado.
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A CIAIAC informou que nenhum passageiro se feriu e que as operações a bordo seguiram sem alterações significativas. As duas aeronaves pousaram em segurança em seus destinos originais ainda no mesmo dia, cumprindo os horários previstos.
Especialistas consultados pelo órgão destacam que incidentes desse tipo reforçam a importância do TCAS e dos protocolos internacionais de separação vertical. “O sistema acrescenta uma última camada de defesa quando todos os demais métodos de controle de tráfego já foram empregados”, explicou um inspetor de segurança de voo ligado à investigação.
A comissão seguirá analisando dados de gravadores de voo, conversas de cabine e registros de radar para determinar por que as rotas se aproximaram além do limite considerado aceitável. Resultados finais serão publicados em relatório conclusivo após a conclusão das análises, procedimento que pode levar alguns meses.
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