Milhões de iranianos deverão convergir para Teerã a partir das 6h deste sábado (4) para o funeral de Estado do aiatolá Ali Khamenei. Quatro meses após a morte do líder supremo em ataques israelenses e norte-americanos, o governo organiza uma cerimônia de seis dias que busca mostrar coesão nacional em meio às negociações diplomáticas com os Estados Unidos.
O corpo está exposto na Grande Mosalla, amplo complexo religioso no coração da capital. Sobre o caixão repousa o turbante preto que se tornou marca do líder, morto aos 86 anos. A expectativa oficial é que entre 15 e 20 milhões de pessoas participem apenas na capital, número que, se confirmado, superará qualquer velório anterior no país.
As ruas próximas ao local foram transformadas em corredores de segurança. Barreiras metálicas, pontos de revista e patrulhas policiais dominam a paisagem. Ônibus interestaduais chegam em caravana, enquanto tendas do Crescente Vermelho oferecem água e primeiros socorros. Caminhões-pipa foram posicionados para amenizar o calor previsto acima de 35 °C.
“Queremos dar um último adeus ao nosso guia e, por isso, a espera não é dolorosa”, relatou a professora Somayye Hamedi, 44 anos, vestindo chador preto.
Mesmo antes do início oficial, centenas de pessoas passaram a noite em frente à Mosalla na tentativa de garantir um lugar próximo ao caixão. Alguns recitam poemas religiosos; outros observam em silêncio os enormes retratos do aiatolá pendurados nas fachadas, alternando bandeiras pretas — sinal de luto — e vermelhas, ligadas ao conceito de martírio.
A programação prevê que o caixão siga em cortejo por Teerã até segunda-feira, quando parte em visita a cidades do Irã e do Iraque. O sepultamento está marcado para 9 de julho, na cidade santa de Mashhad, nordeste do país, onde Khamenei nasceu.
A presença do novo guia supremo, Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido, permanece incerta. Ferido nos ataques que vitimaram o pai, ele tem se manifestado apenas por comunicados escritos desde que assumiu o posto em março.
“Vir aqui é a última e a única coisa que podemos fazer por quem sacrificou sua vida pelo Irã”, afirmou a estudante Fatemeh Nowdehi, 25 anos, que atua como voluntária no atendimento aos peregrinos.
Dentro da Mosalla, além do caixão de Khamenei, estão os de familiares que morreram na mesma ofensiva: uma filha, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses. A imagem do líder com o punho cerrado, símbolo de resistência ao Ocidente, domina o salão onde políticos iranianos e representantes de países aliados apresentarão condolências ao longo da semana.
Entre as autoridades já confirmadas encontra-se o chefe da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, que faz sua primeira aparição pública desde que assumiu o comando em março. A intenção declarada de Teerã é transformar o funeral em demonstração de união nacional após meses de protestos contra o custo de vida e em meio ao delicado cessar-fogo negociado no último mês.
Com fluxo recorde de visitantes previsto, a capital programou horários estendidos para o metrô, bloqueios temporários de trânsito e pontos de distribuição de alimentos. Ainda assim, organizadores alertam: quem quiser se aproximar do cortejo precisará chegar cedo e se preparar para longas horas de espera.
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