Pelo menos 164 pessoas morreram e 971 ficaram feridas depois de dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela na noite de 24/06, configurando o pior abalo sísmico do país desde 1900. Os tremores, de 7,2 e 7,5 graus de magnitude, sacudiram o território em um intervalo de menos de um minuto, com epicentros próximos a Morón, no norte venezuelano.
O impacto foi devastador no estado de La Guaira, zona costeira a cerca de 40 minutos de Caracas. Ali, dezenas de prédios vieram ao chão, vias ficaram bloqueadas por escombros e o fornecimento de energia foi interrompido. Moradores passaram a madrugada nas ruas, muitos em busca de parentes desaparecidos.
“Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força, nem coragem para entrar ali”, lamentou Larry Rojas, 49 anos, diante do edifício onde a família dele ficou presa.
Em Caracas, a situação também foi dramática. Um prédio de 22 andares na área de Chacao desabou completamente, enquanto sirenes soavam e voluntários escalavam montes de concreto em busca de sobreviventes. O aeroporto internacional de Maiquetía sofreu danos estruturais graves e foi fechado; voos foram cancelados, obrigando passageiros a passar a noite no estacionamento. A capital ainda dispõe do aeroporto militar de La Carlota para operações emergenciais.
Diante da tragédia, o governo interino decretou estado de emergência nacional e declarou La Guaira “zona de desastre”. Equipes de resgate foram deslocadas de outros estados, e 30 réplicas já haviam sido registradas até a manhã de 25/06. A ajuda internacional começou a ser mobilizada com o envio de especialistas da ONU, apoio logístico dos Estados Unidos e manifestações de solidariedade de países latino-americanos, europeus e asiáticos.
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“Socorristas especializados já estão a caminho para apoiar nas tarefas de resgate”, afirmou a presidente interina Delcy Rodríguez, que mantém contato com organismos multilaterais.
Os abalos também foram sentidos na Colômbia, onde sirenes de alerta foram acionadas em cidades fronteiriças. Especialistas da ONU pediram ao governo venezuelano que mantenha canais de comunicação abertos para facilitar o trabalho de salvamento e a coordenação de doações.
A Venezuela tem histórico de forte atividade sísmica: em 1997, um tremor em Cariaco deixou 73 mortos; em 1967, um abalo em Caracas matou 236 pessoas. Entretanto, os dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicam que o evento desta semana superou todos os registros desde o início do século XX, ampliando o desafio de reconstrução para a nação.
Enquanto máquinas pesadas retiram escombros e hospitais operam no limite, relatos emocionados dão a dimensão da tragédia. Em La Guaira, moradores improvisam tendas e fogueiras, aguardando notícias de familiares soterrados. Em Caracas, psicólogos voluntários prestam apoio a crianças que viram suas casas ruírem. O balanço oficial de vítimas ainda pode aumentar, já que equipes de busca continuam escavando regiões mais isoladas.
A expectativa agora recai sobre a chegada de reforços internacionais e sobre a capacidade das autoridades de restabelecer serviços básicos. A comunidade científica alerta para a possibilidade de novas réplicas nos próximos dias, e recomenda que a população mantenha vigilância e siga orientações de segurança.
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