O balanço da tragédia provocada pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira, 26 de junho, foi atualizado na sexta-feira (26) para pelo menos 235 vítimas fatais. O número inclui cidadãos de diferentes países, refletindo a presença de comunidades estrangeiras no território venezuelano.
De acordo com informações divulgadas pelos ministérios das Relações Exteriores envolvidos, dois brasileiros – um homem e uma mulher – estão entre os mortos. O Itamaraty comunicou que acionou sua rede consular para prestar assistência às famílias, orientando sobre traslado de corpos e documentação.
Portugal também sofreu perdas significativas. O serviço diplomático luso confirmou nove vítimas portuguesas ou luso-descendentes. Além disso, 56 cidadãos continuam sem contato desde o primeiro tremor. As autoridades portuguesas mantêm equipes de busca em cooperação com organismos locais para tentar localizar essas pessoas.
No caso da Espanha, foram confirmadas três mortes. O ministério espanhol informou que ainda tenta esclarecer o paradeiro de 99 cidadãos que, até a última atualização, não tinham sido localizados. A embaixada em Caracas reforçou postos de atendimento e abriu um telefone de emergência para familiares.
A Itália lamentou a perda de um ítalo-venezuelano de 54 anos, nascido em Caracas, que morreu no desabamento de um edifício no estado de La Guaira. O governo italiano estima que cerca de 170 mil cidadãos com passaporte do país residem atualmente na Venezuela e, por isso, acompanha de perto a situação.
A comunidade chinesa também foi afetada. Dois cidadãos da China tiveram as mortes confirmadas pela agência estatal Xinhua. A embaixada chinesa em Caracas emitiu um comunicado convocando atenção redobrada para as réplicas.
“Pedimos que todos tomem precauções diante de desastres secundários provocados por réplicas e outros terremotos”, orientou a representação diplomática na rede WeChat.
Especialistas do Serviço Geológico venezuelano apontaram que o primeiro tremor atingiu magnitude 6,8 e o segundo, horas depois, alcançou 6,5 na escala Richter. Ambos tiveram epicentro próximo à costa norte, o que explica o elevado número de edificações danificadas em La Guaira e em parte da capital, Caracas.
Equipes de resgate seguem trabalhando em turnos ininterruptos, auxiliadas por voluntários e organizações humanitárias. A Defesa Civil venezuelana relatou que mais de 50 réplicas foram registradas entre quarta e sexta-feira, alimentando o risco de novos desabamentos.
Hospitais de campanha foram montados em pontos estratégicos para aliviar a pressão sobre as unidades de saúde da Grande Caracas. Segundo a Cruz Vermelha, mais de 1.100 feridos receberam atendimento emergencial nos últimos dois dias.
Autoridades locais afirmaram que o número de mortos ainda pode subir, pois várias áreas continuam isoladas por bloqueios de escombros ou problemas de comunicação. Engenheiros estruturais analisam prédios danificados para determinar se moradores poderão retornar ou se será necessária a demolição.
Nas embaixadas envolvidas, o clima é de alerta permanente. Representantes diplomáticos recomendam que todos os estrangeiros que vivem no país atualizem dados de contato e sigam as orientações de segurança emitidas pelos órgãos oficiais. Enquanto isso, governos estrangeiros avaliam o envio de equipes de busca especializadas e kits de ajuda humanitária.
O governo venezuelano decretou estado de emergência em La Guaira, Miranda e Distrito Capital, medida que facilita o acesso a recursos federais e permite a mobilização rápida das Forças Armadas para apoio logístico. Autoridades pediram à população que evite circular em zonas de risco e informe imediatamente quaisquer novos indícios de instabilidade geológica.
Com a confirmação de vítimas de pelo menos cinco nacionalidades, a tragédia ganha dimensão internacional e coloca em evidência a necessidade de cooperação entre chancelerias, organizações de socorro e comunidades expatriadas para lidar com as consequências humanitárias do desastre.
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