Imagens obtidas pelo satélite Sentinel-1 e analisadas por pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, indicaram que aproximadamente 58,8 mil edifícios foram provavelmente danificados ou destruídos pelos dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela em 24/06. O levantamento comparou registros anteriores de 2025 com captações feitas logo após os abalos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter.
Responsáveis pela leitura dos dados, os geógrafos Corey Scher e Jamon Van Den Hoek explicaram que o método recorreu a variações na reflexão do radar para apontar mudanças abruptas na superfície das construções. Quando ao menos metade da área de implantação de um prédio coincidiu com a zona de perda de coerência, a estrutura foi considerada danificada.
“Trata-se de um produto preliminar, elaborado poucos dias após o evento, e que permanece não validado”,
destacaram os cientistas em artigo divulgado no fim de semana. Eles ressaltaram que a maior concentração de pontos vermelhos — áreas com 75% de chance de dano — apareceu ao longo da costa central e no densamente povoado corredor da capital Caracas, refletindo o epicentro das ondas sísmicas.
O panorama traçado pelos especialistas supera em muito os números oficiais divulgados pelo governo venezuelano até domingo (28/06). As autoridades confirmaram o colapso de 774 edificações, das quais 189 ruíram completamente e 585 ficaram parcialmente destruídas. Uma comissão técnica foi criada para vistoriar pontes, rodovias e imóveis restantes, classificando-os em níveis de risco vermelho (alto), amarelo (médio) ou verde (sem risco).
Enquanto equipes de resgate ainda reviravam escombros, o balanço humanitário mantinha-se alarmante. Conforme a última atualização, os terremotos deixaram 1,9 mil mortos, 10,5 mil feridos e quase 50 mil desaparecidos, segundo estimativa das Nações Unidas. As operações de busca foram intensificadas em La Guaira, uma das províncias mais castigadas, e em municípios periféricos de Caracas.
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Engenheiros locais alertaram que as réplicas registradas após o tremor principal podem ter comprometido estruturas que resistiram inicialmente. Por isso, a recomendação oficial foi de evacuar prédios fissurados até a conclusão das inspeções. Além disso, o governo informou que abrigos provisórios foram instalados em ginásios esportivos e escolas públicas para receber famílias desalojadas.
Organizações humanitárias solicitaram à comunidade internacional apoio em kits médicos, purificadores de água e material de construção. Segundo o Ministério de Obras Públicas venezuelano, a recuperação completa da infraestrutura pode levar anos e exigir investimentos bilionários.
O mapa de danos produzido a partir das imagens do Sentinel-1 deverá ser atualizado nas próximas semanas à medida que novos sobrevoos orbitais forem concluídos. A expectativa dos pesquisadores é que as leituras, mesmo preliminares, ajudem a priorizar áreas críticas para ações de socorro e reconstrução.
“Um edifício é considerado danificado quando pelo menos 50% da sua área de implantação está localizada no mapa de danos por perda de coerência”,
acrescentaram Scher e Van Den Hoek, enfatizando que o mesmo protocolo foi utilizado em zonas de conflito no passado recente.
Enquanto a análise científica avança, moradores afetados aguardam a restauração de serviços básicos. Em diversos bairros, o fornecimento de energia ainda era intermitente, e equipes de manutenção trabalhavam para restabelecer linhas de transmissão danificadas pelos desabamentos.
A combinação de dados de satélite, relatos em solo e inspeções visuais deverá formar o quadro definitivo da tragédia, que já se coloca como uma das mais severas do continente na última década.
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