O setor imobiliário voltado ao turismo está ajustando suas engrenagens para colocar a experiência do consumidor no centro da estratégia comercial. Em vez de se limitar a maquetes e projeções, as incorporadoras passaram a convidar o potencial comprador para se hospedar no resort, aproveitar piscinas, restaurantes e serviços e, só então, conhecer a proposta de adquirir uma fração do empreendimento. A prática, comum em outros ramos da economia compartilhada, vem se firmando como diferencial na multipropriedade.
Na GAV Resorts, o método já apresenta resultados expressivos.
“A pessoa já conheceu o produto e entende exatamente o que está comprando”
afirma o CEO Manoel Gama, ao destacar que a conversão entre hóspedes é três vezes maior do que em salas externas de vendas.
A lógica acompanha uma tendência mais ampla: cada vez mais brasileiros preferem acesso a bens e serviços sem assumir o custo integral da posse. O compartilhamento já faz parte do cotidiano em mobilidade urbana, entretenimento e aviação executiva e, agora, ganha corpo no turismo, abrindo caminho para famílias interessadas em viajar com regularidade e previsibilidade de gastos.
Além do investimento inicial mais baixo, a multipropriedade oferece estruturas de lazer robustas que, individualmente, seriam quase inviáveis. Isso explica a expansão do modelo: em apenas cinco anos, o número de empreendimentos saltou de 109 para 216, distribuídos por 97 cidades em 18 estados. De acordo com levantamento da Caio Calfat Real Estate Consulting, divulgado no ADIT Share 2025, o Valor Geral de Vendas (VGV) potencial atingiu R$ 92,7 bilhões em 2025, alta de 16,6% sobre 2024.
O bom momento dialoga com o fortalecimento do turismo doméstico. Destinos como Gramado (RS), Porto de Galinhas (PE) e o litoral cearense seguem recebendo investimentos e atraindo público ávido por hospedagens de padrão elevado. Para acompanhar a demanda, a GAV opera hoje seis resorts e planeja inaugurações em Salinópolis (PA), Gramado (RS) e Preá (CE).
Quem compra uma cota também encontra resorts cada vez mais completos. Parques aquáticos, recreação infantil, atividades esportivas e programações para diferentes faixas etárias tornaram-se peças-chave para fidelizar hóspedes. Simultaneamente, ferramentas de inteligência artificial e automação passaram a auxiliar o atendimento, tornando a comunicação mais personalizada e eficiente.
Apesar do avanço, executivos apontam que o maior desafio ainda é a divulgação do conceito.
“Precisamos mostrar que a multipropriedade não é timeshare tradicional; é um modelo regulado, com escritura e segurança jurídica”
explica Gama. Para o setor, permitir que o cliente vivencie o resort antes da assinatura reforça transparência, reduz dúvidas e mantém o ritmo de crescimento.
À medida que turismo, tecnologia e novos hábitos de consumo se entrelaçam, a expectativa é de que a estratégia “experimente antes de comprar” siga impulsionando a multipropriedade, consolidando-a como uma alternativa atrativa para quem busca viajar mais, gastar menos e manter o controle do orçamento.
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