São Paulo viveu uma verdadeira maratona sobre rodas nesta quarta-feira, 24/06, quando o Índice de Lentidão da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) alcançou 1.690 quilômetros às 18h. A marca tornou-se o maior registro de congestionamento na capital paulista em 2026 e o mais elevado desde 2020, superando todas as previsões para um dia de futebol e chuva combinados.
O pico ocorreu poucas horas antes de a seleção brasileira entrar em campo contra a Escócia pela Copa do Mundo. Desde o início da tarde, motoristas enfrentaram retenções crescentes, que já somavam 1.532 quilômetros às 17h30. Mesmo depois do apito inicial, a cidade continuou parada: às 18h30 ainda restavam 1.275 quilômetros de filas, mostrando que a dispersão dos veículos foi mais lenta do que o habitual.
A CET atribuiu a situação a uma conjunção de fatores. Além do fluxo típico de um dia útil, muitos torcedores saíram mais cedo do trabalho para acompanhar a partida — alguns em bares e centros esportivos espalhados pela cidade, outros deslocando-se para suas casas. O tempo instável, com chuva intermitente, complicou ainda mais a vida de quem dependia do transporte público. Plataformas de metrô e estações da CPTM operaram no limite da capacidade, o que pressionou os corredores de ônibus e empurrou parte da demanda para carros de aplicativo e táxis.
Especialistas em mobilidade urbana destacam que grandes eventos esportivos costumam provocar mudanças bruscas no padrão de deslocamento. Embora seja prática comum nas fases iniciais da Copa do Mundo o expediente ser flexibilizado, o trânsito desta quarta-feira ultrapassou expectativas. Para efeito de comparação, o recorde absoluto continua o registrado em 05/09/2019, quando a malha viária paulistana acumulou 1.902 quilômetros de lentidão—um número que ainda assombra planejadores de tráfego.
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As principais vias afetadas foram as marginais Tietê e Pinheiros, a Avenida dos Bandeirantes e os corredores norte-sul. Em diversos pontos, a velocidade média não passou dos 10 km/h. Motoristas relataram trajetos que normalmente levam 40 minutos se estendendo por mais de duas horas. Usuários de aplicativos de trânsito também notaram o aumento das tarifas dinâmicas ao longo da tarde.
O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) havia emitido alerta para chuvas moderadas, o que colaborou para quedas de galhos e aquaplanagem em trechos críticos. Equipes da prefeitura distribuíram agentes de apoio nas travessias de pedestres próximas a estações de metrô como Sé, Tatuapé e Barra Funda, mas, ainda assim, formaram-se filas que chegavam aos acessos externos.
Apesar do caos temporário, a CET sublinha que os índices começam a cair gradualmente após o encerramento das partidas, conforme os torcedores voltam para casa em horários mais escalonados. A companhia reforçou que segue monitorando os corredores e orientando motoristas por painéis eletrônicos. Para os próximos confrontos do Brasil, estudos de contingência incluem faixas exclusivas adicionais para ônibus e reforço na operação do transporte sobre trilhos.
Enquanto isso, o morador paulistano redescobre a paciência: seja ajustando a rota, reforçando o home office ou simplesmente aderindo ao bom e velho radinho no carro para não perder um minuto da Copa. Ao menos por esta quarta-feira, o futebol mostrou, mais uma vez, que consegue parar a maior metrópole do país — literalmente.
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