Um novo sismo de magnitude 4,9 foi sentido por volta das 19h de sexta-feira, 26/06, na faixa costeira da Venezuela, segundo dados do Centro Sismológico Euro-Mediterrânico (EMSC). O fenômeno, registrado dois dias depois de abalos mais fortes de 7,2 e 7,5, sacudiu principalmente as cidades de Maracay e Caracas, provocando pânico em moradores que ainda calculam as perdas dos tremores anteriores.
A atualização mais recente das autoridades aponta 920 mortos em todo o país. O número, divulgado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, reflete o avanço das equipes de resgate sobre áreas de difícil acesso, mas a própria liderança política admite que o balanço pode crescer à medida que escombros são removidos.
“O estado de La Guaira está completamente militarizado”, declarou Jorge Rodríguez em pronunciamento televisivo, ao justificar a presença de tropas para conter saques e facilitar o trabalho de socorristas.
La Guaira, cidade litorânea a poucos quilômetros da capital, concentra a maior parte da destruição. Dezenas de edifícios colapsaram na quarta-feira, 24/06, e moradores relatam que as equipes de busca chegam com atraso ou sem equipamentos adequados. Autoridades municipais informaram que quase 80% da rede de água e energia da região permanece inoperante.
Além dos mortos, o ministro da Saúde, Carlos Alvarado, detalhou que 4,3 mil pessoas ficaram feridas até as 23h de quinta-feira, 25/06. Hospitais de Caracas, Maracay e La Guaira operam acima da capacidade, e clínicas privadas passaram a receber pacientes transferidos de unidades públicas que tiveram suas estruturas comprometidas.
“Precisamos que empresas disponibilizem máquinas, drones e câmeras térmicas para acelerar as buscas”, pediu a presidente interina Delcy Rodríguez, ao classificar os municípios costeiros como “zona de desastre”.
Especialistas do Serviço Geológico local explicam que o novo abalo é considerado réplica dos grandes tremores de quarta-feira e pode se repetir nos próximos dias. O órgão orienta a população a manter kits de emergência com água, lanternas e documentos à mão, além de evitar transitar em áreas sinalizadas como risco de colapso.
Enquanto escavadeiras removem entulho, voluntários organizam pontos de coleta de donativos: mantimentos não perecíveis, cobertores e medicamentos de uso contínuo. Igrejas, escolas e ginásios esportivos foram convertidos em abrigos temporários para cerca de 25 mil desalojados. Serviços de telecomunicações seguem instáveis, o que dificulta a localização de familiares desaparecidos.
O governo confirmou que voos civis permanecem suspensos no Aeroporto Internacional de Maiquetía, perto de La Guaira, até a conclusão de inspeções na pista. Navios de carga atracados no porto foram realocados para águas mais profundas enquanto peritos avaliam possíveis danos estruturais.
Diante do cenário, a Defesa Civil recomendou que a população acompanhe boletins oficiais e evite compartilhar rumores nas redes sociais. Sismólogos reforçam que tremores secundários tendem a diminuir de intensidade, mas alertam que estruturas fragilizadas podem ruir com vibrações bem menores que as registradas no primeiro evento.
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