O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na noite desta terça-feira (08) que os recentes atritos com a Espanha podem ter chegado a um ponto de inflexão. Segundo o republicano, Madri apresentou sinais claros de recuo após a Casa Branca ameaçar adotar medidas mais duras no campo comercial, gesto que, de acordo com ele, reabriu espaço para uma aproximação entre os dois países.
Trump relatou a jornalistas que vinha mantendo negociações tensas com o governo espanhol e que, em dado momento, avisou que poderia abandonar a mesa de conversas caso suas demandas financeiras não fossem atendidas. O chefe do Executivo norte-americano sustentou que essa postura mais firme foi decisiva para a mudança de tom do outro lado do Atlântico.
“Eu disse a eles que vou parar de negociar”, recordou, sem especificar quais pagamentos estavam em jogo. “E, se não tivessem atendido, nós nem conversaríamos com eles.”
Ao comentar o papel do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, Trump manteve o tom crítico. O norte-americano mencionou que a Espanha “se comportou muito mal” nas etapas anteriores das tratativas, mas ressaltou que, no encontro desta terça-feira, percebeu uma atitude “muito generosa” por parte de Madri. Para ele, esse realinhamento cria as condições necessárias para que as relações comerciais entre os dois aliados retomem um curso mais cooperativo.
O assunto veio à tona quando Trump respondia a perguntas sobre possíveis desavenças com outros parceiros europeus, como Reino Unido e Alemanha. O foco, porém, manteve-se na Espanha, país que, segundo o presidente, mais resistiu às exigências apresentadas por Washington.
“A Espanha, eu diria, eu tive problemas com a Espanha, e ainda tenho. Mas hoje a Espanha voltou totalmente atrás”, disse. “Houve uma grande unidade naquela sala hoje, na sala da OTAN. Foi, na verdade, algo bem impressionante.”
Trump descreveu o clima da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte como marcado por “unidade e espírito de união”. Para ele, a convergência alcançada nos corredores da OTAN sinaliza que os desentendimentos podem ser superados nos próximos ciclos de negociação.
Ainda que a fala do presidente não detalhe prazos, cifras ou áreas de comércio específicas, a mensagem principal é que a porta do diálogo permanece aberta. Caso as tratativas avancem, Washington e Madri deverão redefinir parâmetros de troca considerados estratégicos para ambos, sobretudo em setores industriais sensíveis.
Enquanto as delegações preparam as próximas rodadas, observadores internacionais monitoram se o recuo espanhol se traduzirá em acordos concretos. Por ora, Trump deixa claro que sua disposição de pressionar aliados continua sendo um elemento central de sua diplomacia econômica.
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