O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na noite desta quarta-feira (08/07) que o governo iraniano procurou Washington para discutir um possível novo acordo, poucas horas depois de uma série de bombardeios norte-americanos contra alvos no território persa. Falando a repórteres a bordo do Air Force One, o republicano descreveu o contato como um sinal de fraqueza de Teerã.
“Eles têm muito pouco restante e querem muito fazer um acordo”,
relatou o presidente, frisando que não confia nos iranianos para cumprir qualquer pacto firmado.
Trump também minimizou a contra-resposta de Teerã aos ataques de ontem e afirmou que a desproporção de força continuará favorável a Washington.
“Eu diria que os atingimos numa proporção de 20 para 1. Cada vez que eles nos atingirem, nós vamos atingi-los 20 vezes”,
afirmou.
Questionado sobre eventuais preocupações de segurança que teriam provocado um atraso em seu voo de saída da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, o presidente negou qualquer recuo estratégico e classificou as ameaças iranianas como parte de sua rotina.
“Bem, eu tenho uma ameaça o tempo todo. Eu sou o número um na lista deles”,
comentou, dizendo não ter sido informado previamente sobre supostas declarações de Teerã.
O Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou a retomada das operações aéreas. Explosões foram registradas em cidades no sul, sudeste e sudoeste do Irã, em áreas próximas ao Golfo Pérsico. Em nota publicada no X (antigo Twitter), a força militar explicou que a ofensiva busca “responsabilizar o Irã por sua recente agressão injustificada contra navios comerciais e tripulações civis” no Estreito de Ormuz.
O endurecimento ocorreu um dia depois de Trump considerar encerrado o cessar-fogo firmado em negociações anteriores. Durante a mesma cúpula da Otan em Ancara, ele chamou o país persa de “escória” e acusou suas lideranças de serem “pessoas doentes”.
“Na minha opinião, negociar com eles é perda de tempo. Eles são mentirosos”,
acentuou.
Do outro lado, as autoridades iranianas reagiram com promessas de retaliação. Um alto oficial ouvido pela agência Nour News advertiu que qualquer base em nações vizinhas utilizada pelos Estados Unidos será alvo de mísseis e drones. O presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento do Irã, Ebrahim Azizi, reforçou a disposição de responder com força.
“Iremos privá-los de segurança onde quer que estejam no mundo”,
afirmou o parlamentar. Outra fonte militar declarou que o contra-ataque fará Washington “se arrepender” dos bombardeios.
Enquanto a tensão escala, diplomatas ocidentais avaliam que o diálogo direto entre Washington e Teerã continua remoto. Na análise de observadores internacionais, a disposição do governo norte-americano em intensificar bombardeios reforça a mensagem de que não haverá concessões sem uma mudança perceptível de postura iraniana, especialmente em relação à segurança marítima no Golfo.
Ainda não há confirmação sobre vítimas civis ou militares nos novos ataques, nem detalhes sobre eventuais danos a infraestrutura estratégica. Dentro dos Estados Unidos, parlamentares de ambas as Casas acompanham a escalada com cautela, divididos entre apoio à firmeza presidencial e preocupação com um possível conflito de maiores proporções.
Até o momento, não foi anunciado calendário para retomada de canais diplomáticos formais. Observadores acreditam que eventuais conversas só ocorrerão se Teerã oferecer garantias verificáveis, algo que Trump julga improvável, mas que, segundo ele, “pode mudar” sob pressão militar e econômica.
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