Neste sábado (27), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar a temperatura nas já tensas relações entre Washington e Teerã. Em mensagem publicada em sua própria rede social, a Truth Social, Trump declarou que, caso o governo norte-americano retome uma campanha militar de maior intensidade contra o Irã, o país persa “deixará de existir”. A afirmação veio acompanhada de críticas ao que ele classificou como violações do cessar-fogo por parte das autoridades iranianas.
“É muito provável que eles nunca aprendam a lição. É possível que, um dia, já não possamos agir com prudência e sejamos obrigados a concluir, por meio da força militar, a missão que iniciamos com tanto sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir”, escreveu Trump.
O republicano acrescentou que as Forças Armadas dos Estados Unidos atacaram depósitos de mísseis e drones iranianos, sem entrar em detalhes sobre a data ou a localização exata das operações. “Nossas forças atingiram alvos críticos para enfraquecer a capacidade ofensiva iraniana”, afirmou, sustentando que as investidas teriam caráter de retaliação.
Embora Trump não ocupe atualmente um cargo público, suas declarações continuam a repercutir entre aliados e adversários no cenário internacional. Analistas apontam que a fala pode alimentar novos atritos diplomáticos. Autoridades iranianas ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as recentes ameaças, mas, em ocasiões anteriores, Teerã classificou discursos semelhantes como “retórica vazia” e prometeu responder a qualquer ação militar.
Observadores em Washington ressaltam que a relação entre EUA e Irã passou por sucessivos altos e baixos ao longo das últimas décadas. O acordo nuclear de 2015 havia criado uma janela de diálogo, porém as tensões retornaram após a saída unilateral dos EUA do tratado em 2018. Desde então, conflitos por procuração no Oriente Médio, sanções econômicas e incidentes militares esporádicos mantêm o clima de instabilidade.
Especialistas também lembram que, mesmo fora do poder, Trump conserva influência sobre parte considerável da base conservadora norte-americana. Qualquer posicionamento mais agressivo, portanto, pode pressionar a atual administração dos EUA a adotar postura igualmente dura ou, no mínimo, a se manifestar para afastar a percepção de fragilidade.
Até o momento, o Pentágono não divulgou relatórios oficiais que confirmem as operações citadas por Trump. Sem dados concretos, permanece incerto o impacto real dos ataques mencionados. Ainda assim, a declaração reaquece o debate sobre o futuro da política externa norte-americana em relação ao Irã e sobre os riscos de uma escalada militar em uma região historicamente volátil.
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