O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira (20) decretos que impõem tarifas de 50% sobre uma lista de produtos canadenses. A Casa Branca afirma que a decisão reage a supostas barreiras comerciais mantidas pelo Canadá contra empresas americanas em segmentos como álcool, automóveis e laticínios.
Pelo texto publicado, as sobretaxas passam a valer dentro de 30 dias. Serão afetados itens populares na relação bilateral, entre eles vinho, tacos de hóquei e cimento. Produtos de energia e mercadorias que já são alvo de tarifas específicas foram poupados.
Ao justificar a iniciativa, o governo norte-americano citou uma combinação de fatores. Washington acusa províncias canadenses de suspenderem a compra de bebidas alcoólicas produzidas nos EUA e critica respostas consideradas “discriminatórias” às tarifas que já estavam em vigor desde o ano passado. Também pesou a recente tensão provocada pela fumaça de incêndios florestais canadenses que atingiu parte do território americano.
Outra particularidade desta rodada é que as novas tarifas incidem sobre mercadorias que entram nos EUA pelo Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC). Até o momento, bens protegidos pelo acordo de livre-comércio costumavam receber isenção mesmo durante disputas mais amplas.
“Como é seu direito, o Canadá simplesmente equiparou essas medidas”
A frase do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, resume a reação inicial de Ottawa. Ele disse que o país está disposto a intensificar negociações, já apresentou propostas para modernizar o T-MEC e classificou a atitude americana como mais um ato unilateral que fere o acordo.
Trump recorreu à Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, dispositivo que permite sanções contra parceiros considerados discriminatórios. Especialistas chamam atenção para o ineditismo do recurso. O analista Scott Lincicome, do Instituto Cato, observa que esta é a primeira aplicação do mecanismo, enquanto o ex-negociador Ryan Majerus avalia que a medida pode enfrentar “alto risco de litígio” nos tribunais.
“Tarifas mais altas tendem a provocar novas retaliações, justamente quando o setor de hospitalidade ainda se recupera”, alertou Chris Swonger, presidente do Conselho de Bebidas Destiladas dos EUA.
Empresários americanos temem que a escalada tarifária encareça insumos e reduza a competitividade das exportações de destilados, vinhos e cervejas artesanais. Já produtores canadenses de vinho e equipamentos esportivos veem a decisão como oportunidade para reforçar parcerias com mercados europeus e asiáticos.
Nos próximos dias, diplomatas dos dois países prometem manter conversas técnicas para evitar que a controvérsia se transforme em guerra comercial de grandes proporções. Enquanto isso, consumidores podem sentir o impacto nos preços a partir do momento em que as tarifas entrarem em vigor, caso não haja acordo até lá.
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