O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que considera encerrado o cessar-fogo firmado com o Irã em 17 de junho. A declaração foi dada durante um encontro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em Ancara, capital turca, e aprofundou a tensão já elevada entre Washington e Teerã.
Segundo Trump, a escalada de ataques da noite anterior — quando forças americanas atingiram alvos iranianos e a Guarda Revolucionária respondeu contra bases militares dos EUA no Golfo — demonstrou que a trégua não tem mais validade prática. O republicano voltou a adotar tom duro ao comentar o assunto.
“Acho que acabou. Não quero mais lidar com eles, são escória”, declarou o presidente ao ser questionado sobre a continuidade do acordo.
Ele também classificou o país persa como liderado por “pessoas doentes” e acrescentou que, caso o Irã tivesse armas nucleares, “as usaria”. Trump argumentou que o compromisso de 17 de junho previa a suspensão de qualquer avanço nuclear iraniano, mas que o governo de Teerã estaria negando publicamente essa condição.
“Todos concordaram: nada de armas nucleares. Fizemos um acordo. Depois eles aparecem e dizem à imprensa que nunca conversaram sobre isso. Há algo de errado com eles. Eles são malucos”, disse.
O impacto das falas do presidente se fez sentir imediatamente nos mercados internacionais. As cotações do petróleo subiram cerca de 5%, reflexo do temor de que novos confrontos possam afetar a oferta na região do Golfo, responsável por uma fatia expressiva da produção global.
Embora tenha declarado que “negociar com eles é perda de tempo”, Trump informou que ainda pretende ouvir o empresário Steve Witkoff e o assessor da Casa Branca Jared Kushner, ambos envolvidos em contatos informais com representantes iranianos. Ao mesmo tempo, deixou a porta entreaberta para futuras conversas, mas condicionou qualquer avanço a uma iniciativa de Teerã. “Cabe a eles retomar as negociações”, acrescentou.
O pronunciamento ocorreu durante sessão fechada da cúpula da OTAN, mas foi rapidamente repercutido por jornalistas presentes no centro de imprensa do evento. Diplomatas europeus que acompanham as tratativas expressaram preocupação com o risco de uma escalada militar, mas não fizeram comentários públicos.
Até o momento, o governo iraniano não divulgou resposta oficial às declarações de Trump. Analistas ouvidos por agências internacionais apontam que a retórica mais agressiva do presidente americano pode estar ligada às discussões internas sobre política externa em ano eleitoral. Para eles, a situação no Oriente Médio permanece volátil e novas ações de retaliação não estão descartadas.
Nos bastidores da OTAN, aliados tradicionais dos Estados Unidos evitam se comprometer publicamente com qualquer estratégia de contenção. Ainda assim, fontes diplomáticas indicam que integrantes da aliança acompanham de perto movimentos navais no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo exportado pela região.
Com a declaração desta quarta-feira, o futuro do cessar-fogo fica mais incerto, e observadores internacionais voltam a questionar se ainda há espaço para mediação. Enquanto isso, investidores monitoram cada novo passo de Washington e Teerã, atentos ao possível impacto no mercado de energia e na estabilidade regional.
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