Durante encontro na Casa Branca nesta terça-feira, 21/07, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu ampliar o apoio ao Líbano em meio à implementação do acordo mediado por Washington entre Beirute e Israel. A visita marcou a primeira vez desde 2009 que um chefe de Estado libanês foi recebido oficialmente em Washington.
O presidente libanês, Joseph Aoun, aproveitou a reunião para solicitar reforço político e manutenção da cooperação com as Forças Armadas Libanesas (FAL), que começaram a deslocar-se para áreas do sul do país com a missão de desarmar o Hezbollah e consolidar a autoridade estatal.
“Precisamos apoiar as FAL. Sem as FAL, tudo desmoronará.”
Segundo Trump, o país do Oriente Médio foi “muito maltratado” ao longo das últimas décadas. Ao término das conversas, o líder norte-americano anunciou a liberação de voos comerciais diretos de companhias dos Estados Unidos para o Líbano, suspensos desde o sequestro de um avião da TWA em 1985.
“Vamos ajudá-lo. Vamos ajudá-lo muito.”
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, celebrou a decisão, avaliando que representa oportunidade para ampliar conexões e fortalecer a economia local.
“Representa uma importante oportunidade para melhorar as viagens e a conectividade entre o Líbano e os Estados Unidos, além de apoiar a economia libanesa.”
Aoun, ex-comandante do Exército, descreveu as Forças Armadas como “espinha dorsal da segurança e da estabilidade” e a instituição de maior confiança no país. Posteriormente, a Presidência libanesa informou que, durante o encontro, Aoun ressaltou “a necessidade urgente de uma retirada completa de Israel do território libanês” para que o acordo-quadro avance.
Questionado se Washington aplicaria pressão adicional sobre Israel, Trump respondeu que a questão será analisada.
A visita ocorreu no momento em que tropas libanesas ingressavam em zonas piloto no sul do país, parte do esforço para demonstrar capacidade de desarmar o Hezbollah. O Exército relatou que militares israelenses efetuaram disparos de advertência próximos às unidades libanesas posicionadas na aldeia de Zautar al Gharbiya.
As Forças de Defesa de Israel confirmaram os tiros para o alto, alegando que soldados libaneses teriam ultrapassado a área delimitada. Fontes locais também relataram a detenção temporária de três civis na região de Shebaa.
Desde que assumiu a Presidência em 2025, Aoun afirma que todas as armas devem ficar sob controle do Estado. O Hezbollah, por sua vez, recusa entregar seu arsenal e discorda tanto do acordo quanto das negociações em curso.
“Nunca alcançará uma paz verdadeira enquanto o Hezbollah permanecer armado.”
A declaração foi feita pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em encontro realizado domingo, 19/07.
Autoridades libanesas contabilizam mais de 4.300 mortos nos últimos confrontos com Israel. A violência diminuiu após a assinatura, no mês passado, de um memorando entre Estados Unidos e Irã e do acordo entre Líbano e Israel, mas a situação segue frágil, dependente da retirada israelense e da contenção do Hezbollah.
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