O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está intensificando o apoio à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em uma ofensiva diplomática que redefine a relação entre Washington e Caracas. A aposta do governo norte-americano é usar a líder chavista como peça-chave para estabilizar o país, assegurar fluxo de petróleo e limitar a influência de atores externos como Irã e Cuba.
Rodríguez assumiu o comando após a captura de Nicolás Maduro e, desde então, tenta equilibrar a manutenção de traços do projeto bolivariano com demandas de abertura econômica. Em troca de colaboração, o Palácio de Miraflores já recebe alívio de sanções e ajuda logística dos Estados Unidos, sobretudo para modernizar a infraestrutura de produção e exportação de petróleo.
A estratégia ganha urgência depois dos terremotos que abalaram várias regiões venezuelanas. O episódio colocou à prova a capacidade do governo interino de coordenar resgates, reconstruir estradas e garantir atendimento médico. Para a Casa Branca, a tragédia serve de vitrine para provar que a parceria pode render respostas mais rápidas do que no período Maduro.
“As pessoas que estão no comando são as nossas e o país está no caminho da recuperação”, afirmou Trump, elogiando o que classificou de “excelente trabalho” de Rodríguez.
Mesmo com o sinal verde de Washington, a popularidade interna da presidente interina enfrenta turbulência. Pesquisas recentes indicam aumento da rejeição, sobretudo entre eleitores que enxergam a permanência de figuras do antigo regime como um sinal de continuidade, e não de mudança. Líderes da oposição tradicional, como María Corina Machado, questionam a legitimidade da transição.
Analistas políticos classificam a aproximação como pragmática. A prioridade, dizem, é garantir resultados palpáveis: incremento na oferta de petróleo, diminuição do narcotráfico e controle dos fluxos migratórios. O risco é de que a dependência de aval externo alimente debates sobre soberania às vésperas das próximas eleições presidenciais, previstas pelo calendário constitucional.
Enquanto isso, Delcy Rodríguez adota discurso conciliatório. Ela promete diálogo com diferentes setores, porém mantém símbolos chavistas e defende que a Venezuela preciso “deixar de ser refém de agendas estrangeiras” — ao mesmo tempo em que se beneficia do suporte norte-americano.
A equação é complexa: Trump espera retorno rápido para o mercado energético dos EUA, e Caracas busca reconstruir uma economia fragilizada por anos de hiperinflação e sanções. Se a parceria render frutos, poderá transformar a paisagem política regional; se fracassar, aumentará a pressão sobre ambos os governos.
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