A União Europeia recebeu HOJE, 23/06, em Bruxelas, a primeira delegação oficial do Talibã desde o retorno do grupo ao poder em Cabul, em 2021. Os representantes afegãos chegaram à capital belga com vistos de apenas um dia, concedidos após avaliação de segurança do governo da Bélgica. O encontro foi definido pela Comissão Europeia como uma “cooperação técnica” voltada à gestão de retornos de solicitantes de asilo cujos pedidos foram negados pelos países do bloco.
Dados oficiais apontam que, entre 2013 e 2024, aproximadamente 1 milhão de afegãos solicitaram refúgio nos 27 Estados-membros. Metade desses pedidos foi aprovada. Mesmo sem reconhecer formalmente o governo instalado em Cabul, cerca de 20 países europeus demonstraram no ano passado interesse em retomar as deportações para o Afeganistão, sobretudo de pessoas consideradas ameaça à segurança pública ou condenadas por crimes graves.
Bruxelas vinha negociando silenciosamente com o Talibã há vários meses. A conversa HOJE marca a primeira vez que enviados afegãos pisam em solo europeu para um diálogo presencial desde agosto de 2021. Segundo autoridades, as discussões focam na criação de canais de repatriação, verificação de identidade e emissão de documentos de viagem.
“O diálogo com as autoridades afegãs é uma necessidade prática para garantir retornos seguros e ordenados”, afirmou Magnus Brunner, chefe de migração da UE.
Em maio, um porta-voz da Comissão Europeia já antecipava parte da agenda, explicando que o encontro foi articulado em parceria com a Suécia. À época, 20 Estados-membros pediram medidas “concretas e operacionais” para facilitar o retorno de estrangeiros que “representam uma ameaça à segurança” nos territórios europeus.
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Organizações de direitos humanos criticaram a iniciativa, alegando que a deterioração da situação humanitária no Afeganistão coloca em risco qualquer pessoa deportada. Além da insegurança alimentar que atinge milhões, as entidades lembram das restrições impostas pelo regime talibã a mulheres e meninas, questionando a compatibilidade das expulsões com tratados internacionais.
Apesar da pressão externa, Bruxelas sustenta que manter canais de comunicação com quem controla de fato o Afeganistão é essencial para a gestão migratória do bloco. Autoridades enfatizam que a reunião não equivale a reconhecimento diplomático do governo talibã, mas sim a tentativa de estabelecer procedimentos claros que permitam devoluções sob acompanhamento internacional.
Ao final do dia, ambos os lados avaliaram que os debates avançaram em pontos técnicos, como a logística de voos de repatriação e garantias mínimas de segurança na chegada a Cabul. Novas rodadas de conversa deverão ocorrer nos próximos meses, possivelmente por videoconferência, até que um memorando de entendimento seja finalizado.
Enquanto isso, Estados-membros continuam analisando individualmente milhares de pedidos de proteção de cidadãos afegãos. Para quem obtém status de refugiado, nada muda; porém, para os que tiveram o visto negado e esgotaram recursos administrativos, o encontro desta terça-feira pode acelerar o retorno obrigatório.
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