A UEFA decidiu não adotar as paradas automáticas de hidratação impostas pela FIFA na Copa do Mundo. Na Euro 2028, as pausas só valerão acima de 32 °C.
A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) confirmou que não seguirá a orientação da FIFA que tornou obrigatórias as pausas de três minutos para hidratação em todas as partidas da Copa do Mundo. A decisão, anunciada nesta segunda-feira, 22/06, mantém o posicionamento que a entidade europeia adotará na Euro 2028: paradas só ocorrerão quando as condições climáticas realmente exigirem, ou seja, com temperaturas superiores a 32 °C.
O contraste entre as duas entidades é claro. A FIFA transformou as pausas de hidratação em uma regra universal, aplicada mesmo em estádios com ar-condicionado ou cobertos. Já a UEFA entende que a interrupção mecânica prejudica o ritmo do espetáculo e deve ser acionada apenas em cenários de calor extremo.
Nos últimos meses, torcedores em partidas na Inglaterra e na Croácia reagiram com vaias às paradas adotadas em jogos de teste, classificando-as como desnecessárias. O descontentamento não se restringe às arquibancadas. Jogadores e treinadores manifestaram publicamente preocupação com o impacto das quebras no andamento do jogo.
“As interrupções têm mais caráter comercial do que de saúde”, afirmaram atletas e técnicos em entrevistas recentes.
Um dos pontos centrais do debate é o potencial de faturamento durante os intervalos extras. Relatos de mercado apontam que a FOX, detentora de direitos de transmissão nos Estados Unidos, poderia gerar mais de US$ 250 milhões em receitas adicionais ao vender espaços publicitários específicos para essas janelas.
Para analistas, o posicionamento da UEFA demonstra cautela diante da percepção de que o exagero pode desgastar a relação com o público. O temor é de que o torcedor passe a encarar o gramado como apenas mais uma vitrine comercial.
“O exagero enfraquece a causa”, comentou um dirigente próximo às negociações sobre regulamentos de competição.
Apesar das críticas, a FIFA mantém o argumento de que paradas de hidratação promovem bem-estar dos atletas, sobretudo em torneios que concentram partidas em regiões de clima quente. A UEFA, por sua vez, afirma que a avaliação caso a caso já está prevista nos protocolos médicos de competições nacionais e continentais, dispensando qualquer imposição automática.
Dessa forma, os torcedores que aguardam a Euro 2028 podem esperar partidas jogadas em dois tempos ininterruptos, a menos que o calor extrapole o limite de 32 °C. A polêmica, contudo, deve continuar em pauta, pois envolve interesses comerciais robustos e preocupações legítimas de saúde esportiva.
Enquanto isso, federações de outras regiões observam o embate entre FIFA e UEFA para definir qual modelo adotar em seus calendários. A discussão promete ganhar novos capítulos à medida que se aproximam as grandes competições internacionais.
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