O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, avaliou nesta quarta-feira (08/07) que a condição clínica de Jair Bolsonaro melhoraria imediatamente se o ex-chefe do Executivo fosse colocado em liberdade. A declaração ocorreu durante conversa com jornalistas em Brasília, quando Valdemar atribuiu o estado de saúde do aliado às pressões judiciais que o cercam desde que deixou o Palácio do Planalto.
“Ele está com a saúde complicada por causa da situação em que se encontra. Caso ele fosse solto, sairia de lá pulando de alegria, sara na hora”, afirmou.
Sob a ótica do dirigente partidário, o ex-presidente “nunca fez nada fora da lei” e estaria sendo alvo de um “excesso de zelo” por parte das autoridades. Como exemplo, citou a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) mais cedo, que cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Bolsonaro.
De acordo com relatório da corporação, nenhuma arma, munição ou acessório irregular foi encontrado, confirmando a versão previamente apresentada pela defesa. O advogado João Henrique de Freitas classificou a diligência como “lamentável”.
“A defesa já havia informado previamente o paradeiro de todas as armas. Resultado: nada foi encontrado. É lamentável que um ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”, disse o defensor.
Valdemar argumentou que as seguidas ações policiais tiram a tranquilidade de Bolsonaro. “Hoje foram até a casa dele de novo. Ele não tem paz”, comentou, reforçando que, no entendimento dele, a eventual revogação de medidas judiciais teria reflexo direto na saúde física e emocional do correligionário.
A entrevista também abordou a relação interna na família Bolsonaro. Segundo Valdemar, a ex-primeira-dama Michelle e o senador Flávio Bolsonaro não se falam desde que ela divulgou vídeo relatando ter sido “maltratada” e “humilhada” pelo parlamentar. O dirigente disse que pretende atuar como mediador, convencido de que a reconciliação é estratégica para a próxima disputa eleitoral.
“Eles têm dificuldade. Primeiro vou falar com o Flávio e depois vou insistir com a Michelle. Eles têm que fazer as pazes para ganharmos as eleições”, afirmou.
Apesar das tensões, o presidente do PL reiterou que o partido confia na união do grupo em torno de um projeto político para 2026. Ele ressaltou que, no momento, a prioridade é assegurar condições legais favoráveis a Bolsonaro e estabilizar o ambiente interno, minimizando atritos públicos que possam desgastar a imagem da legenda.
Questionado sobre futuros passos, Valdemar declarou que continuará acompanhando de perto o andamento dos processos envolvendo o ex-presidente e que não descarta novas tratativas com autoridades para defender o que considera direitos de Bolsonaro. Ele evitou detalhar estratégias, mas sinalizou que o PL permanece mobilizado para reagir a cada nova decisão judicial.
Por enquanto, a expectativa dentro do partido é de que a mais recente fase de buscas, encerrada sem apreensões, sirva como argumento adicional da defesa para sustentar a alegação de que não há irregularidades pendentes. Integrantes da sigla acreditam que esse ponto possa fortalecer um pedido de flexibilização das restrições impostas ao ex-mandatário.
Enquanto o caso segue nos tribunais, Valdemar não esconde a preocupação com o impacto emocional sobre Bolsonaro. Para o dirigente, a eventual liberação rápida não apenas simbolizaria vitória jurídica, mas também sinalizaria alívio para a saúde do ex-presidente, repercutindo politicamente entre seus apoiadores.
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