O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, divulgou uma nota na manhã desta quinta-feira, 25/06, em que se posiciona sobre as críticas feitas por Michelle Bolsonaro ao enteado Flávio Bolsonaro, pré-candidato da legenda à Presidência da República. No texto, o dirigente classifica o episódio como um “debate natural” dentro de um partido que, segundo ele, valoriza convicções individuais e a pluralidade de ideias.
“Divergências fazem parte da maturidade democrática. Admiro a coragem dos que defendem aquilo em que acreditam”, escreveu Valdemar.
O líder partidário explicou que ainda não conversou pessoalmente com Michelle e Flávio após o desentendimento, mas adiantou que pretende encontrá-los nos próximos dias e voltará a se manifestar depois da conversa. Ele reforçou que o projeto do PL – tirar o atual governo do poder nas eleições deste ano – permanece intacto.
A controvérsia começou quando Michelle Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais na quarta-feira, 24/06, afirmando ter sido “humilhada” por Flávio. A ex-primeira-dama disse que o enteado recomendou que ela se afastasse das decisões do partido e reclamou do apoio do deputado André Fernandes (PL-CE) ao pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB).
“Ele me maltratou e disse que eu deveria ficar de fora das decisões do partido”, afirmou Michelle, acrescentando que Flávio vai toda semana a sua casa sem, segundo ela, pedir apoio formal.
No vídeo, Michelle alegou que Fernandes teria “apunhalado” o próprio partido ao declarar apoio a Ciro, político que, em sua avaliação, chamou Flávio e os irmãos de “corruptos” e “ovos de serpentes nazistóides”. A ex-primeira-dama defende que o PL lance a vereadora Priscila Costa (PL-CE) ao Senado, enquanto Fernandes prefere alinhar a sigla a Ciro no estado.
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Em resposta, Flávio Bolsonaro negou ter humilhado qualquer mulher e elogiou o trabalho de Michelle à frente do PL Mulher. Ele declarou que tentou contato com a madrasta para convidá-la a uma reunião organizada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) com lideranças femininas, mas não recebeu retorno.
“Em nenhum momento ofendi Michelle. Se o fiz, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho que realiza”, disse Flávio.
No mesmo comunicado, Flávio reafirmou que considera legítimas as preocupações de Michelle, mas sustentou que as articulações no Ceará estão a cargo da direção estadual e do deputado André Fernandes. O pré-candidato destacou que qualquer decisão estratégica será tomada coletivamente pela Executiva Nacional.
Enquanto isso, a ala cearense do PL segue dividida. Michelle insiste na candidatura de Priscila Costa e no apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE), enquanto Fernandes mantém o plano de aliança com Ciro Gomes. Valdemar, por sua vez, evita impor uma solução imediata, apostando em conversas internas para pacificar o grupo.
Nos bastidores, dirigentes do PL avaliam que o impasse não ameaça, por ora, a pré-candidatura presidencial de Flávio, mas reconhecem que a união partidária será decisiva nos próximos meses de campanha. A expectativa é de que Valdemar conduza negociações para reduzir ruídos e apresentar, até as convenções, um discurso unificado.
Nesta quinta, ao reforçar a importância da diversidade de opiniões, o presidente do PL procurou transformar a crise em demonstração de vitalidade democrática. A legenda, disse ele, seguirá focada em construir uma plataforma competitiva para as urnas.
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