O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, adiantou a volta de Miami ao Brasil para mediar o embate público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto. O dirigente avalia que, sem um entendimento entre madrasta e enteado, a legenda corre o risco de ver sua estratégia fracassar na disputa presidencial de outubro.
Em entrevista concedida logo após desembarcar, Valdemar reconheceu a urgência do tema. Segundo ele, pesam sobre o PL tanto o desgaste interno quanto a ameaça de derrota nas urnas.
“Se não nos entendermos, vamos perder a eleição, e quem vai pagar essa conta é Jair Bolsonaro”,
afirmou, lembrando que o ex-presidente é o principal fiador do projeto da sigla.
O atrito ganhou força depois que Flávio manifestou apoio ao ex-governador Ciro Gomes (PSDB) na corrida pelo governo do Ceará. Michelle é abertamente contra essa aliança e relatou ter sido “humilhada” ao expor sua posição. Valdemar admite que o apoio a Ciro não é a primeira escolha do PL, mas o define como pragmático:
“Ciro briga com todo mundo, mas é o único com chance de vencer o PT no estado. Sem ele, o Ceará fica com os petistas.”
A ex-primeira-dama reagiu nas redes sociais no dia 24/06, acusando Flávio de desconsiderar seu trabalho à frente do PL Mulher e de defender o deputado André Fernandes, presidente estadual da sigla. Michelle quer que a vereadora Priscila Costa (PL-CE) dispute o Senado, enquanto o diretório prefere sustentar a coligação com Ciro.
Em vídeo, ela questionou a postura da legenda:
“É para se unir a esse homem que o PL do Ceará está abandonando um candidato legítimo da direita? É para perseguir e tentar retirar da disputa uma mulher nordestina que dedicou tudo ao movimento em defesa da vida?”
Flávio rebateu no mesmo dia, negando qualquer desrespeito. Ele disse reconhecer a relevância de Michelle para o partido e pediu desculpas caso tenha causado ofensa:
“Nunca humilhei nenhuma mulher. Se em algum momento a machuquei, peço desculpas. Tenho por ela respeito e gratidão.”
O senador acrescentou que tentou contato telefônico para convidá-la a uma reunião organizada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) com lideranças femininas, mas não obteve resposta.
Dentro do PL, caciques temem que a disputa aberta comprometa a imagem de unidade que o partido tenta projetar. Valdemar, que considera Michelle peça-chave para atrair o eleitorado feminino, aposta em conversas reservadas nos próximos dias para selar um armistício. Ele sustenta que a legenda ainda dispõe de tempo para aparar arestas e consolidar palanques regionais, desde que as divergências pessoais não ultrapassem o limite político.
A poucos meses da eleição, o episódio expõe a delicada engenharia interna de uma sigla que lida simultaneamente com pressões regionais, interesses familiares e a necessidade de apresentar um projeto coeso ao eleitor. Mesmo com o retorno antecipado de Valdemar, não há garantia de consenso — mas a avaliação predominante é que qualquer retardo na solução do impasse custará caro ao projeto presidencial do PL.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.




