O Vaticano confirmou, na madrugada desta quinta-feira (02), a excomunhão dos bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A medida foi anunciada em nota oficial da Santa Sé, que classificou a recente nomeação de quatro novos bispos pelo grupo tradicionalista como “ato de natureza cismática”.
De acordo com o comunicado, a consagração episcopal ocorreu sem o consentimento do papa Leão XIV, requisito indispensável pelo direito canônico. Por esse motivo, tanto os prelados que realizaram a ordenação quanto os recém-consagrados incorreram automaticamente na pena máxima prevista pela legislação da Igreja.
“Os ministros sagrados da Fraternidade Sacerdotal São Pio X administram os sacramentos de forma ilícita; o sacramento da penitência por eles administrado e o matrimônio por eles assistido são inválidos”, informou o texto.
Foram declarados excomungados Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, além dos novos bispos Pascal Schreiber (Suíça), Michael Goldade (Estados Unidos), Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier (França). Todos incorreram na sanção “latae sententiae”, expressão em latim que indica a aplicação imediata da pena, sem necessidade de processo formal.
O Vaticano ressaltou que a ordenação de bispos sem mandato pontifício rompe a comunhão com Roma e cria um cisma, colocando fiéis e clero da FSSPX fora da plena unidade eclesial. A Santa Sé frisou ainda que quaisquer sacramentos celebrados pelos novos bispos carecem de validade canônica, o que pode levar a incertezas disciplinares e pastorais para os fiéis que buscam atendimento espiritual junto à fraternidade.
“A Igreja, como mãe atenciosa, acolherá com sincero afeto e viva solicitude todos aqueles que desejam retornar à plena comunhão”, finaliza a nota.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, crítico das reformas do Concílio Vaticano II. Desde então, o grupo mantém ritos e posicionamentos considerados tradicionais, o que gerou tensões sucessivas com a hierarquia católica. Em 1988, consagrações sem autorização papal motivaram excomunhões semelhantes, mais tarde parcialmente revertidas. O episódio desta quinta-feira reacende o debate interno sobre liturgia e obediência ao magistério em um momento em que a Santa Sé busca reforçar a unidade doutrinal.
Analistas vaticanistas avaliam que o decreto de hoje encerra qualquer expectativa de negociação imediata com a FSSPX. Ao mesmo tempo, a Igreja deixa a porta aberta para reconciliação, caso haja arrependimento e reconhecimento da autoridade pontifícia. Enquanto isso, os fiéis vinculados à fraternidade são orientados a procurar paróquias em plena comunhão com Roma para receber validamente os sacramentos.
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