Simone Novais depôs no júri de Guarulhos sobre a morte do marido Celso, baleado no aeroporto em novembro. Ela revelou a jornada pesada do motorista e o impacto devastador da perda para a família.
O Tribunal do Júri instalado no Fórum Criminal de Guarulhos ouviu, nesta segunda-feira (22), o depoimento de Simone Fernandes Novais, agente de saúde e viúva do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, de 41 anos. O testemunho fez parte do julgamento que apura a participação de três policiais militares acusados de envolvimento na execução de Vinícius Gritzbach durante um ataque no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 8 de novembro de 2024, ocasião em que Celso também foi baleado fatalmente.
Ao relembrar o episódio, Simone detalhou o impacto da perda para a família, que tem três filhos de 22, 15 e 5 anos. Ela frisou que o marido era o principal provedor da casa e mantinha uma jornada intensa ao volante para cobrir todas as despesas.
“Ele era meu companheiro de vida. Era quem pagava as contas, era tudo para nós”, declarou, visivelmente abalada.
Segundo a viúva, Celso iniciava o trabalho por volta das 7h e costumava retornar somente perto das 22h, estratégia que adotava para ampliar a renda e garantir segurança financeira aos filhos. Apesar da rotina puxada, ela descreveu o marido como um pai presente, dedicado e disposto a fazer pequenos gestos de carinho sempre que possível.
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Um desses gestos ocorreu justamente no dia do atentado. Conforme relatou aos jurados, o filho de 15 anos estava entristecido com a morte recente do cachorro da família. Para consolá-lo, Celso decidiu estender a jornada a fim de ganhar o suficiente para comprar comida japonesa, prato favorito do adolescente. Simone atribuiu a permanência extra no aeroporto a essa decisão.
“Ele ficou mais tempo trabalhando naquele dia para agradar o filho. Acabou perdendo a vida”, contou, entre lágrimas.
Depois de ser atingido pelos disparos, Celso foi socorrido e levado ao Hospital Geral de Guarulhos, onde passou por cirurgia de emergência. De acordo com o laudo apresentado no plenário, um dos projéteis perfurou rim e fígado, causando hemorragia severa. Mesmo gravemente ferido, ele conseguiu telefonar para a esposa antes de entrar no centro cirúrgico. Os médicos relataram que, já na mesa de operação, o motorista mencionava repetidamente o nome dela, mas o reencontro não ocorreu a tempo.
A sessão prosseguiu com a oitiva de outras testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa. Os jurados ainda analisarão imagens de câmeras de segurança, laudos periciais e relatórios de telefonia anexados aos autos. A expectativa é de que o julgamento, considerado um dos mais comentados na Grande São Paulo nos últimos anos, se estenda pelos próximos dias, dado o volume de provas e a complexidade do caso.
Os três policiais militares, que respondem por homicídio duplamente qualificado, negam envolvimento direto no crime. A promotoria sustenta que eles teriam atuado na logística do ataque e fornecido suporte aos executores, enquanto a defesa alega ausência de provas materiais suficientes para sustentar a acusação.
A decisão final do Conselho de Sentença deverá ser anunciada somente após a fase de debates entre Ministério Público e advogados dos réus. Até lá, familiares das vítimas acompanham cada fase do processo em busca de respostas e justiça.
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