O presidente Volodymyr Zelensky declarou que as forças ucranianas voltaram a bombardear, na quarta-feira, 01/07, a principal refinaria de petróleo de Ufa, situada na região russa do Bascortostão. É a segunda investida contra o mesmo complexo em apenas sete dias, sinalizando uma ampliação do raio de ação dos drones ucranianos para além da linha de frente, a mais de mil quilômetros de distância.
Considerada uma das maiores produtoras de lubrificantes da Rússia, a refinaria tem papel crucial no fornecimento de derivados para o setor automotivo e industrial. Segundo Zelensky, a instalação é ponto estratégico na logística de combustíveis que abastece as tropas russas, e o ataque visa comprometer essa cadeia de suprimentos.
Na mesma publicação, o líder ucraniano informou que outro alvo foi uma planta que fabrica componentes de mísseis na região de Penza, a sudeste de Moscou, a cerca de 500 quilômetros da fronteira ucraniana. O governador de Penza, Oleg Melnichenko, confirmou que drones atingiram duas unidades industriais na cidade, provocando ferimentos em duas pessoas. Ele não detalhou o nível de destruição nem revelou os nomes das fábricas afetadas.
Os bombardeios de longo alcance tornaram-se quase diários desde o início de 2026 e vêm pressionando o Kremlin a lidar com uma crise interna de combustíveis. Relatórios oficiais indicam que o número de instalações energéticas danificadas cresceu mais de 40% neste ano, reduzindo a capacidade de refino e afetando o abastecimento em diversas regiões.
Diante da escassez, autoridades russas confirmaram a importação emergencial de gasolina da Índia para tentar aliviar filas em postos de abastecimento e o racionamento de derivados. Motoristas relatam aumentos recordes nos preços, enquanto postos em cidades de médio porte passaram a limitar a quantidade de litros por veículo.
Zelensky acrescentou que mantém diálogo com representantes da União Europeia para endurecer sanções contra o que classificou de “máquina de guerra russa”. O chefe de Estado busca restringir o acesso de Moscou a tecnologias de refino, peças aeronáuticas e insumos metalúrgicos.
Durante visita a uma siderúrgica na Irlanda, o presidente ouviu do primeiro-ministro Micheál Martin que está prestes a ser concluída uma investigação sobre o eventual uso da Aughinish Alumina, controlada por acionistas russos, na produção de armamentos. Segundo Martin, o dossiê deve subsidiar novas medidas econômicas em Bruxelas.
Analistas militares avaliam que os drones ucranianos evoluíram em alcance e precisão, tornando vulneráveis ativos industriais em profundidade no território russo. Para Kiev, neutralizar usinas de refino e fábricas de mísseis é estratégico para reduzir a capacidade bélica adversária no quinto ano do conflito.
No panorama global, a ofensiva coloca em alerta os mercados de energia: cortes de produção na Rússia podem repercutir nos preços internacionais do petróleo e gerar impactos em moedas e inflação, sobretudo na Europa, já sensível ao prolongamento da guerra.
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