O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reforçou neste sábado (04) a confiança na capacidade marítima de seu país ao declarar que a Rússia “perdeu o Mar Negro”. A afirmação veio durante mensagens publicadas na rede social X, nas quais ele destacou conquistas navais desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022. O chefe de Estado aproveitou o Dia da Marinha para anunciar a fundação de uma nova Academia Naval em Odessa, importante porto no sul da Ucrânia.
Segundo Zelensky, a retomada da Ilha da Serpente (Zmiinyi) foi ponto de virada estratégico. A desocupação do território, localizada perto da foz do rio Danúbio, teria permitido à Marinha de Kiev executar operações que enfraqueceram portos, navios e posições de Moscou na Crimeia.
“Junto com os demais ramos das Forças de Defesa e Segurança da Ucrânia, a Marinha alcançou o que muitos julgavam impossível. A Rússia perdeu o Mar Negro”, escreveu o presidente.
No mesmo pronunciamento, o líder anunciou a criação da Academia Naval de Odessa. O centro formará futuros oficiais e pesquisadores, buscando modernizar doutrina, treinamento e logística. Zelensky afirmou que o país possui infraestrutura e, sobretudo, jovens motivados para consolidar essa nova etapa.
Horas antes, ele iniciou viagem de trabalho a Odessa, onde comandantes navais apresentaram relatórios sobre a defesa do sul do país. O encontro abordou a resposta aos bombardeios com drones Shahed e mísseis russos, além da expansão de capacidades de longo alcance.
“Durante a reunião, identificamos o que ainda é necessário para fortalecer ainda mais as capacidades de combate da Marinha”, relatou Zelensky.
Entre as prioridades mencionadas estão:
• Aumento do número de helicópteros para ampliar a defesa aérea regional;
• Integração de mísseis ucranianos Neptune e mísseis antinavio Harpoon, de fabricação ocidental;
• Aquisição de sistemas não tripulados de nova geração e torpedos para atuação costeira e em águas profundas.
O presidente também frisou que o Mar de Azov deixará de ser “um lugar de paz e tranquilidade” para forças russas, ressaltando que os avanços navais são resultado direto da cooperação entre Exército, Força Aérea, Guarda de Fronteira e parceiros internacionais.
A criação da academia naval é apresentada como investimento de longo prazo. De acordo com Zelensky, o objetivo é garantir que a Ucrânia sustente operações conjuntas de superfície, submarino e mísseis, reduzindo a dependência de apoio externo.
A data escolhida para o anúncio – o Dia da Marinha – reforça o simbolismo da medida. Em anos anteriores, a celebração era marcada por desfiles em Sebastopol, na Crimeia; agora, a ênfase recai sobre Odessa, cidade portuária estratégica que abriga terminais de exportação de grãos e patrulhas que escoltam comboios civis pelo corredor humanitário do Mar Negro.
Embora Zelensky tenha declarado que Moscou “perdeu” a região, combates navais seguem intensos. A Frota do Mar Negro, baseada em Sebastopol, mantém capacidade de lançar mísseis Kalibr contra alvos ucranianos, enquanto embarcações de Kiev recorrem a drones marítimos e mísseis de longo alcance para pressionar posições russas.
Analistas observam que o controle total do Mar Negro permanece em disputa, mas reconhecem mudanças no equilíbrio desde 2022. O afundamento do cruzador Moskva e a destruição de sistemas antiaéreos russos na Crimeia reduziram a liberdade de ação de Moscou, abrindo espaço para Kiev estabelecer rotas marítimas comerciais mais seguras.
Com a nova academia e o reforço de meios aéreos e navais, a Ucrânia pretende consolidar esses ganhos e formar uma geração de oficiais especializada em guerra moderna, defesa costeira, tecnologia de drones e integração de armamentos ocidentais. O governo aposta que o investimento contribuirá para manter a pressão e, eventualmente, forçar a retirada russa de áreas ocupadas.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.




