O pré-candidato Romeu Zema atacou a PEC que extingue a escala 6×1 e propôs tornar a CLT opcional. As declarações foram feitas nesta quinta em evento da CNI, em Brasília.
O pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, Romeu Zema, voltou a colocar a flexibilização das relações de trabalho no centro do debate econômico. As declarações ocorreram HOJE, durante o encontro “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.
Diante de empresários de vários setores, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que propostas como a Proposta de Emenda à Constituição que pretende extinguir a escala 6×1 criam a ilusão de prosperidade sem aumento real de produtividade.
“Produtividade é a chave para elevar a renda de qualquer economia no mundo. E o pessoal aqui de Brasília vende a ideia de que, com uma canetada, o Brasil vai ficar rico e o trabalhador vai ganhar mais. Infelizmente, o brasileiro, às vezes, ainda acredita nesse tipo de coisa, como está aí a questão da escala 6×1.”
Zema também criticou o que chamou de “criminalização do setor produtivo” pelo governo federal e defendeu a adoção de uma Consolidação das Leis do Trabalho opcional, baseada na contratação por hora. Segundo ele, a reforma trabalhista de 2017 deve ser retomada e aprofundada.
“Nós precisamos voltar, no mínimo, para aquela reforma aprovada em 2017. Se possível, avançar mais. Mas, como a esquerda morre de amor pela CLT, nós vamos deixá-la e criar uma opção na CLT.”
Ao comparar vínculo empregatício a casamento, o ex-governador disse que o trabalhador precisa de alternativas contratuais semelhantes às existentes no regime de bens matrimonial.
Além de reiterar o compromisso com a redução da taxa de juros e com uma nova reforma da Previdência, Zema pediu revisão nos programas sociais. Ele argumentou que benefícios devem ser condicionados à aceitação de ofertas formais de emprego.
“Para mim, quem teve duas, três ofertas de emprego formal e negou não está apto a receber auxílio de governo. Nós estamos criando aqui no Brasil uma geração de imprestáveis.”
O discurso incluiu críticas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defesas de privatizações em larga escala. Segundo Zema, não existe “vaca sagrada” entre estatais e a venda de ativos públicos é essencial para abater a dívida do país.
A agenda da CNI prevê ainda exposições dos pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD). Cada um tem 20 minutos para apresentar propostas. Lula foi convidado, mas cumpre compromissos no Rio de Janeiro.
Zema encerrou sua participação reafirmando a necessidade de um “choque de moral e de ética” na administração federal, garantindo que, durante seus sete anos e meio no Executivo mineiro, não enfrentou escândalos de corrupção.
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