Em um debate promovido pelo grupo Derrubando Muros, em São Paulo, nesta segunda-feira (06/07), o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, voltou a traçar linhas de separação entre seu projeto político e o do ex-presidente Jair Bolsonaro. Diante de uma plateia de empresários, acadêmicos e estudantes, Zema listou divergências na condução da pandemia, na relação com a ciência e na forma de encarar o sistema eleitoral brasileiro.
Logo no início do encontro, o mineiro fez questão de deixar clara sua oposição a qualquer ruptura democrática.
“Sou totalmente contrário a qualquer tentativa de golpe”,
declarou, recebendo aplausos contidos.
Ao revisitar a eleição de 2018, Zema afirmou que sua aliança com Bolsonaro foi “circunstancial” e motivada pela disputa contra o PT. Para o ex-governador, o desempenho dos petistas em Minas Gerais motivou sua aproximação momentânea com o então capitão reformado:
“Onde o PT estiver disputando uma eleição, eu vou lá apoiar quem está do outro lado, mesmo sendo o Bolsonaro. Eu apoiei o Bolsonaro no segundo turno de 2022 contra o PT, entendeu?”
Questionado sobre a postura de Jair Bolsonaro durante a crise sanitária, Zema ressaltou que tomou caminho oposto em Minas, acompanhando as recomendações científicas e autorizando medidas de distanciamento social. Ele lembrou que nunca pertenceu ao mesmo partido do ex-mandatário, tampouco recebeu apoio direto em suas campanhas estaduais.
Outro ponto abordado foi a credibilidade das urnas eletrônicas. Embora reafirme confiança na tecnologia utilizada pela Justiça Eleitoral, Zema defende um comprovante físico para auditorias aleatórias.
“A urna eletrônica é segura, mas podemos aperfeiçoar o processo e oferecer uma checagem impressa”,
explicou.
Em relação à condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, imposta pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal em setembro de 2025 por participação em tentativa de golpe de Estado, o mineiro posicionou-se a favor de uma anistia que permita reavaliar o caso. Para Zema, um novo julgamento seria a melhor forma de sanar dúvidas e pacificar o ambiente político.
Apesar das críticas, o pré-candidato do Novo reforçou que não pretende encampar uma campanha de ataque pessoal a Bolsonaro, mas sim apresentar propostas distintas para economia, educação e gestão pública. Ele se definiu como liberal, prometeu enxugar a máquina federal e sinalizou a intenção de avançar em reformas estruturais ainda travadas no Congresso.
No encerramento do debate, Zema reafirmou seu otimismo com o pleito de 2026 e disse confiar na maturidade do eleitorado. Para ele, a eleição será oportunidade de discutir modelos de governo sem recorrer a extremos ideológicos.
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