O vereador Eduardo Lima (Republicanos) usou a tribuna da Câmara Municipal de Aracaju (CMA) para criticar a fala da vereadora Professora Ângela Melo (PT) que afirmou abominar a família tradicional. Um trecho do discurso da petista foi apresentado aos parlamentares na última quinta-feira (11).
O caso ocorreu na sessão do dia 3 de novembro, onde estava sendo discutido o Projeto de Resolução nº7/2021 que dispõe sobre a criação da frente parlamentar evangélica, de autoria dos vereadores Eduardo Lima, Fábio Meireles (PSC) e Pastor Diego (PP).
“Eu gostaria de ser bem breve, quero colocar aqui para meus colegas vereadores, propositores da frente. E vou justificar meu voto contrário, e meu voto contrário se dá exatamente pela questão da família tradicional. E eu venho da família tradicional e abomino ela”, disse a parlamentar ao se referir ao inciso IV do texto que cita “Defender a família tradicional e a vida”.
Lima questionou à Mesa Diretora se a fala da vereadora representava a Casa. “Essa fala da vereadora professora Ângela Melo, aqui nessa casa, ela me acende uma preocupação. Eu sou pastor evangélico casado há 16 anos, se eu subir nessa Tribuna se o presidente como pastor como defensor da família tradicional e nesta Tribuna eu falar que eu abomino o casamento entre LGBTQIA+ eu vou ser rechaçado, eu vou ser perseguido”, reclama. “Eu garanto que aí nessa porta dessa casa milhares ou centenas de movimentos LGBTQIA+ estarão me aguardando na porta para poder me representar ou me criticar. Eu pergunto a essa casa a mesa diretora, ao presidente se essa palavra representa essa casa?”.
O vereador continuou as críticas ao discurso e pediu respeito às opiniões divergentes. Com todo respeito a professora Ângela Melo peço a todos os vereadores que se eu peço respeito que também respeite o meu direito de crer que a família tradicional não é a abominável, que a família tradicional ela não está aqui para ser algum execrado, que família tradicional não está aqui para ser algo que atua de forma intolerante ou pedindo intolerância. Então você que faz parte dos 672 mil aracajuanos, você que é defensor da família tradicional. Nós não somos abomináveis”, finalizou o pastor.
Em resposta aos posicionamentos de Lima, a professora postou em suas redes sociais que o vereador usou de sua fala fora do contexto para tentar ofendê-la. Além de lamentar o fato deste colega ter retirado a minha fala de contexto, utilizando-a com o objetivo (não alcançado) de me insultar, reafirmo que a minha crítica é à defesa fundamentalista de um único modelo de família. Não precisamos ir muito longe para sabermos que “em nome da família” absurdos são, constantemente, cometidos. Como não lembrar, por exemplo, que foi “em nome da família” que deputados deram o seu voto no golpe contra a presidenta Dilma?”, disse ela.
Ela ainda reforça que “de acordo com dados oficiais do IBGE, não é possível falar em “família”, mas sim em “famílias”, no plural, já que as estruturas familiares brasileiras são cada vez mais diversas”. Ângela Melo afirmou ainda que continuará defendendo o direito das pessoas constituírem as variadas formas de famílias e denunciando o fundamentalismo.
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