Um integrante do “gabinete do ódio” que esteve em Dubai, com a comitiva do presidente Jair Bolsonaro (PL), em uma feira especializada em aeronaves que ocorreu em 14 de novembro do ano passado, repassou informações de que na viagem também conversaram com um representante da empresa DarkMatter, que desenvolveu uma ferramenta espiã. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (17), pelo portal UOL.
O “gabinete do ódio” como foi nomeada o grupo de assessores que agem com o foco na disseminação de “fake news” nas redes sociais, em paralelo ao assessoramento do Governo Federal, e um integrante desse grupo que esteve nos Emirados Árabes para o Dubai Airshow, é um especialista em inteligência e contrainteligência e responde, segundo a reportagem, de maneira extraoficial ao vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente da República.
Ainda de acordo com a publicação, as informações sobre as conversas foram dadas por uma pessoa que integrou a comitiva presidencial que esteve nos Emirados Árabes durante a viagem oficial de Bolsonaro e demais integrantes do governo.
O nome dele não foi revelado, mas fontes garantiram à reportagem do UOL que a tentativa de compra ocorreu para que a ferramenta fosse utilizada durante as eleições de 2022, e que as conversas ocorreram em uma sala privada cedida pelo governo de Israel, mas a compra não foi efetivada.
A DarkMatter
A empresa tem sede em Abu Dhabi, mas é formada por programadores israelenses que faziam parte da chamada Unidade 8200, força de hackers de elite vinculada ao exército de Israel. A companhia elaborou programas que conseguem invadir computadores e celulares de alvos, inclusive desligados.
Fontes ligadas ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e à Abin (Agência Brasileira de Inteligência) afirmaram que, em outra frente, o “gabinete do ódio” tem mantido conversas em paralelo com a empresa Polus Tech com o objetivo também de obter programas espiões.
Com sede na Suíça, a Polus Tech tem como CEO o programador israelense Niv Karmi, um dos ex-fundadores da NSO Group, empresa dona da poderosa ferramenta espiã Pegasus (Niv é o “N” da sigla NSO).
As negociações com as duas empresas, que forneceriam ao grupo controlado por Carlos Bolsonaro uma ferramenta para espionar opositores, jornalistas e críticos em ano eleitoral, ainda não foram finalizadas.
Até o momento, o Gabinete de Segurança Institucional do governo e o vereador Carlos Bolsonaro não se pronunciaram sobre o ocorrido.
A ferramenta espiã
Especialistas do setor indicam que uma das técnicas oferecidas pela empresa é a “infecção tática” de celulares. A tecnologia desenvolvida pela companhia permite a quem detém o software ter acesso ao celular e a todo seu conteúdo quando o aparelho se conecta a uma rede —tudo isso sem o dono do smartphone saber.
Em seu site, o CEO da empresa explica que optou por ter sede na Suíça por “acreditar na disciplina, precisão e excelência em engenharia da indústria relojoeira suíça”, e que isso era “necessário para desenvolver o tipo de produtos que a Polus deseja construir”.
“As comunidades na Suíça me fizeram sentir em casa com minha decisão, pois cresci em um pequeno vilarejo de montanha, dentro de um pequeno país”, escreveu Niv Karmi.
Ele não cita, porém, que a cidade escolhida para ser a sede, Zug, é uma espécie de área com importantes vantagens fiscais dentro própria Suíça, que já é um paraíso fiscal.
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