O vereador por Aracaju, Ricardo Vasconcelos (Rede), criticou a maneira como a Petrobras está se desfazendo de seu patrimônio material em Sergipe. A informação foi divulgada, nesta quinta-feira (20). Segundo o parlamentar, documentos oficiais da empresa em que teve acesso comprovam que áreas de 11 lotes de exploração de petróleo, incluindo não apenas o polo de Carmópolis, na Região Leste do estado, como também os polos da Atalaia, em Aracaju, estão sendo vendidos pela empresa de modo pouco transparente.
“Desde 2016, quando retiraram a Presidenta Dilma Rousseff do poder, a empresa comandada por Pedro Parente iniciou um sucateamento apelidado por “desinvestimento”. Na prática, como já conhecemos, isso é o primeiro passo para a Privatização de uma estatal. Diversos setores da empresa como a FAFEN, por exemplo, passaram a produzir menos do que podiam para terem o valor de mercado reduzido e passado para as mãos do grande capital estrangeiro. Com as operações de terra não foi diferente. Mesmo se fossem interesses mercadológicos legítimos a empresa deveria fazer uma transição socioeconômica e, sobretudo, ambiental antes que houvesse a sua retirada de Sergipe. Você não pode retirar uma empresa pública deste tamanho do dia para a noite de uma economia como a nossa, sob o risco de trazer prejuízo financeiro e ambiental para o Estado”, afirmou o vereador.
Para Ricardo, toda essa situação faz parte de um “pacote de maldades” dos dois últimos governos federais com Sergipe. “Desde 2019 o Governo Federal vem praticando esse tipo de ação coordenada com os interesses do capital estrangeiro. A FAFEN e suas unidades da Bahia e Sergipe têm capacidade suficiente para produzir fertilizantes para o mercado nacional, por exemplo, mas o Governo Federal prefere reduzir a produção da empresa e importar o restante da demanda dos Estados Unidos. Isso é um absurdo. A retirada das operações de terra da Petrobras, em Sergipe, faz parte de um pacote de maldades do governo federal com o Nordeste e, sobretudo, com o nosso Estado, uma vez que tanto as riquezas minerais daqui extraídas, quanto a renda gerada pelos empregos da mão de obra de trabalho da empresa são cruciais para a sobrevivência da nossa economia e da nossa gente. A não renovação do contrato com a Sergas é mais um passo para desestabilizar a nossa indústria e a nossa economia.”, afirmou Ricardo.
O vereador também criticou a nota oficial emitida pela empresa em dezembro. De acordo com Ricardo, o texto tenta “confundir as pessoas” e “não fala em parte alguma, por exemplo, da transferência dos terrenos para os novos operadores”.
“Ela fala da estrutura de tecnologia e distribuição, mas não diz se os terrenos das unidades serão, alienados, alugados ou doados para a nova empresa. A nota trata do polo de Carmópolis e só no final esclarece que são terrenos em Aracaju também. Como ficam as ações ambientais e sociais da empresa no estado? O novo gestor irá assumir? Como fica o processo de mitigação socioambiental em comunidades costeiras que serviram à empresa por anos e anos? A Petrobras vai simplesmente cancelar ou deixar tudo sob a responsabilidade do capital estrangeiro? A quem interessa essa venda feita no apagar das luzes da virada de ano? A que interessa tanto mistério sobre a venda de um bem público estratégico como a Petrobras?”, questionou o parlamentar.
O vereador ainda afirmou que tem ocorrido na Petrobras um sucateamento das áreas de produção que não estão nos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e na Bacia de Santos em São Paulo, em detrimento do resto do Brasil. “A Petrobras não deve visar apenas o lucro. A empresa é patrimônio de todas as pessoas deste país. Seu principal interesse deve ser compartilhar as riquezas, distribuindo seu lucro com os brasileiros e não apenas com os acionistas estrangeiros. Vou dialogar com os parlamentares federais, sobretudo com os Senadores, que devem fiscalizar os interesses internacionais do Brasil. Vou dialogar com os parlamentares de outros lugares e do meu partido também, para denunciar mais esse pacote de maldades do Governo Federal.”, finalizou o parlamentar.
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