Quando Aracaju completa 165 anos, nesta terça-feira (17), o AjuNews traz para os leitores a história de uma personalidade aracajuana que transformou a vida de outras pessoas. Com quase três décadas de empenho em causas sociais, Almir Almeida Paixão se dedica mudar a vida de centenas de crianças.
Caso você não saiba de quem se trata, é só chamar pela forma como ele é conhecido: “Almir do Picolé”. Natural de Aracaju, Almir já recebeu a Medalha de Honra ao Mérito Parlamentar, maior honraria da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese).
Hoje, a rotina dele mudou. Não vende mais picolé. Em um dos semáforos da Rua Euclides Paes Mendonça, no bairro Treze de Julho, área nobre de Aracaju, ele pede doações para manter a Ação Solidária Almir do Picolé, uma creche fundada em 2003, no município de Nossa Senhora do Socorro.
Enquanto ainda era criança, Almir foi abandonado pela mãe, logo após o divórcio dos seus pais. “Eu fiquei um pouco na rua, depois eu fui morar no orfanato. Meus tios, os parentes do meu pai também não acolheram. Tive uma vida difícil”, lembrou o aracajuano.
Em 1974, a sua vida mudou. Almir da Paixão começou a morar no orfanato, onde passou cerca de 15 anos. Deixando a instituição em 1989, ele foi para o município de Lagarto, no Sul de Sergipe, onde começou a trabalhar em uma padaria.
Depois, ele retornou para Aracaju, começou a vender picolé e em uma dessas ocasiões conheceu um empresário que lhe doou um terreno na cidade de Socorro. Apesar de morar de aluguel, Almir relata que resolveu construir um lar solidário para crianças carentes.
“Eu morava em uma vila no bairro Siqueira Campos, adotei uma ruma de famílias. Uma emissora de televisão soube do meu trabalho. O que foi que ela fez, jogou meu nome para o Brasil todo. Aí, um empresário me deu um terreno para eu sair do aluguel e fazer minha casa. Veio em minha consciência e fundei a creche, começando com 10 meninos”, recordou.
Hoje, a creche atende gratuitamente 94 crianças. Todos os dias da semana, durante a tarde, Almir vai para o semáforo na Rua Euclides Paes Mendonça para tentar arrecadar doações, sempre com um sorriso no rosto.
“Eu vivo aí, pedindo a uma e a outro. Todo dia eu estou aqui, batalhando, pedindo a um e a outro. Uns dá, outro não. O pessoal gosta muito de mim, graças a Deus. A minha meta já está pronta, é manter minhas crianças”, encerra bastante agradecido
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