Pelo menos 16 fundos de investimento administrados pela Reag Trust informaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) participações acionárias avaliadas em aproximadamente R$ 4,1 bilhões vinculadas a um CNPJ que não consta nos registros da Receita Federal. A situação foi revelada pelo portal Metrópoles a partir da análise de documentos encaminhados pela própria corretora ao órgão regulador.
De acordo com o material, todas as carteiras repetem o mesmo número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ao identificar o detentor das fatias societárias declaradas. Quando pesquisado na base oficial da Receita, entretanto, o código retorna como inexistente, indicando que nenhuma empresa está formalmente atrelada àquela numeração.
Os formulários enviados à CVM detalham posições em ações negociadas na B3 e atribuem a titularidade desses papéis ao CNPJ que não possui registro válido. Somadas, as participações chegam a cerca de R$ 4,1 bilhões, valor que permanece associado ao documento fiscal fora de circulação.
Segundo o levantamento do Metrópoles, a inconsistência foi identificada após o cruzamento de dados entre os informes protocolados pelos fundos e a página pública da Receita Federal. O CNPJ inexistente consta em todas as declarações analisadas, abrangendo 16 veículos de investimento administrados pela Reag Trust.
Os papéis listados nos relatórios incluem ações de companhias abertas, e os percentuais declarados em cada empresa seguem as exigências de transparência previstas para o mercado de capitais. Apesar disso, o uso de um número fiscal não reconhecido pela Receita impede a identificação oficial do titular que aparece nos registros da CVM.
A Reag Trust, responsável pela administração dos fundos, enviou os documentos com o CNPJ inexistente diretamente ao regulador do mercado. O Metrópoles não informou, até o momento da publicação, se a gestora apresentou esclarecimentos adicionais à autarquia ou se houve correção das informações prestadas.
Não há, nos arquivos examinados, referência a qualquer data para retificação dos dados ou indício de suspensão das declarações já enviadas. Também não foram divulgados detalhes sobre eventuais medidas adotadas pela CVM após tomar conhecimento da discrepância numérica que envolve os 16 fundos e os R$ 4,1 bilhões em ações.
Com informações de Claudiodantas
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