A economia brasileira encerrou 2023 com um baque inédito no fluxo de capitais. Dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (26) mostram que o Investimento Direto no País (IDP) apresentou saída líquida de US$ 5,25 bilhões em dezembro, o pior resultado mensal da série histórica iniciada em 1995.
De acordo com o BC, o volume negativo superou todas as outras leituras mensais registradas em quase três décadas de acompanhamento. O movimento contrasta com a tendência observada em grande parte do ano, quando o indicador costuma exibir ingressos consistentes de recursos voltados à produção, à compra de participações societárias e à instalação de filiais de empresas estrangeiras.
Economistas que acompanham o mercado apontam a discussão em torno da cobrança de imposto sobre dividendos como um dos principais gatilhos para a fuga de capitais. A medida, que vem sendo analisada pelo governo como alternativa para elevar a arrecadação, gerou incerteza entre investidores estrangeiros ao longo do segundo semestre. Com a possibilidade de aumento da carga tributária sobre o retorno distribuído pelas companhias, parte desses aportes foi redirecionada para outros destinos considerados mais seguros ou rentáveis.
O Banco Central não comentou especificamente o impacto da proposta de taxação nos números divulgados, mas reconheceu, em nota, que a combinação de fatores externos e domésticos contribuiu para o resultado. Analistas citam ainda a elevação dos juros em economias avançadas, sobretudo nos Estados Unidos, como elemento adicional de pressão sobre países emergentes, que acabam competindo por um volume limitado de recursos globais.
Mesmo com o desempenho negativo de dezembro, o IDP acumulado no ano ainda não foi detalhado pelo BC no comunicado mais recente. A expectativa é de que a autoridade monetária apresente o fechamento anual completo na próxima divulgação do balanço de pagamentos.
Para os próximos meses, agentes do mercado financeiro acompanham de perto o andamento do projeto que trata do imposto sobre dividendos no Congresso Nacional. Caso o texto avance sem ajustes que reduzam a percepção de risco, especialistas avaliam que o país pode enfrentar novas saídas líquidas de capital, pressionando o câmbio e as contas externas.
O Banco Central divulgará o próximo relatório sobre o balanço de pagamentos no fim de fevereiro, quando serão conhecidos os dados consolidados de janeiro e eventuais revisões nos números anteriores.
Com informações de Claudiodantas
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