Trabalhadores que atuam por meio de plataformas digitais, como motoristas de aplicativo e entregadores, mantêm um fluxo de ganhos mais estável do que outros grupos ocupacionais do país. É o que mostra um estudo elaborado pelo economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), com base em dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento analisou informações oficiais sobre rendimento de diferentes categorias de ocupação. Segundo o pesquisador, embora a demanda por corridas ou entregas varie de um mês para outro, a renda auferida por esses profissionais apresentou oscilações menores quando comparada à verificada em outras formas de trabalho no mesmo período. Em termos práticos, isso significa que, mesmo enfrentando flutuações na quantidade de pedidos, o montante final recebido ao fim do mês tem se mantido relativamente constante para grande parte dos motoristas e entregadores.
A pesquisa destaca que a estabilidade observada contraria a percepção generalizada de alta volatilidade típica do trabalho por aplicativos. De acordo com Duque, os números mostram que, em média, as variações de rendimento nessas funções são inferiores às registradas em segmentos tradicionais, independentemente do nível de qualificação ou de formalização.
Outro ponto ressaltado pelo estudo é que a flexibilidade inerente às plataformas digitais permite ao trabalhador ajustar a oferta de horas dedicadas ao serviço conforme a demanda. Esse mecanismo compensaria parte das mudanças na quantidade de chamadas ou entregas disponíveis ao longo do mês, contribuindo para suavizar quedas abruptas na renda.
Os dados utilizados são os mais recentes divulgados pelo IBGE e abrangem o período imediatamente anterior à divulgação do relatório do Ibre/FGV. Embora o estudo não detalhe recortes regionais ou etários, o autor enfatiza que o resultado se mantém consistente em diferentes faixas de renda, reforçando a conclusão de que a atividade em aplicativos constitui uma fonte de ganhos menos sujeita a picos e vales do que se supunha.
Até o momento, a Fundação Getulio Vargas não divulgou projeções futuras ou recomendações de política pública baseadas no levantamento, limitando-se a apresentar os números colhidos e a conclusão sobre a menor volatilidade da renda nesse segmento específico do mercado de trabalho.
Com informações de Claudiodantas
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